Álvaro Pacheco | Diretor da Fátima Missionária

Uma lição básica da vida diz‑nos que “devemos aprender com os erros”. E porquê? Para evitar repeti-los no futuro. Enquanto escrevo estas linhas, a comunidade internacional está mergulhada num novo pesadelo, que teve oficialmente início no passado dia 28 de fevereiro com os ataques dos Estados Unidos da América e de Israel ao Irão. Como se não bastassem os conflitos que lavram em mais de 50 países – muitos deles desconhecidos ou simplesmente ignorados pela maior parte da comunidade internacional –, impõe-se a pergunta que abre esta reflexão: até quando?

Até quando o ser humano continuará a recusar-se a aprender com os erros do passado? Até quando milhões de pessoas inocentes hão de permanecer reféns de políticas desumanas e injustas, orientadas não pela defesa do bem comum, mas pelos interesses de alguns – quase sempre os mais poderosos no plano militar?

Até quando estaremos dependentes da “lei do mais forte”, a qual, em rigor, se aplica ao mundo selvagem, aos chamados animais irracionais? No caso das guerras, a aplicação dessa mesma lei torna o ser humano irracional, porque o afasta do sentido mais profundo da sua própria humanidade. Assistimos, assim, a uma contínua e perigosa desumanização das sociedades, visível na crescente imposição de vontades e políticas de certos países sobre outros, sustentada sobretudo no poderio militar.

Ao preparar esta reflexão, por ocasião da celebração do Dia do Pai, vieram-me à memória muitos dos efeitos dramáticos e traumáticos das guerras. Penso, nomeadamente, nos milhares de pais que perderam a vida em conflitos absurdos – homens forçados a combater por motivos que não são os seus, muitos deles ainda jovens, a quem a guerra roubou a vida e a própria paternidade.
Muitos são os que continuam a perder a vida, e muitos mais a perderão, se os poderosos insistirem em aplicar a “lei do mais forte”. E que dizer dos filhos que ficam sem pais, das esposas que perdem os maridos, dos pais e mães que veem partir os seus filhos ainda jovens, forçados a arriscar a vida na linha da frente?

É inevitável recordar a expressão “carne para canhão”, que, infelizmente, continua a descrever realidades bem presentes nos nossos dias. Segundo uma definição comum, esta expressão “é utilizada para descrever recrutas mal treinados, mercenários ou soldados enviados para a linha da frente com poucas hipóteses de sobrevivência”. Enquanto padre e Missionário da Consolata, apelo a orações pela paz – tão necessária quanto urgente – e para que a humanidade aprenda, enfim, com os erros do passado. Até quando se continuará a recusar essa aprendizagem?

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