Álvaro Pacheco | Diretor da Fátima Missionária

“Um dia chegareis ao Tibete e ao Japão”, disse aos seus missionários o padre italiano São José Allamano, fundador dos Missionários e Missionárias da Consolata. Pois bem, no momento em que escrevo estas linhas, encontro-me precisamente na Coreia do Sul, vizinha do arquipélago japonês. Não, a Consolata não chegou ao Japão, mas aqui na Ásia Oriental estamos presentes na Mongólia e na Ilha Formosa (Taiwan). A razão que me trouxe de Portugal até aqui foi o curso de formação permanente que os Missionários da Consolata realizam ao completarem 10, 25 e 50 anos de ordenação sacerdotal, com a duração de um mês.

Encontro-me naquela que considero a “minha” Coreia, por ser precisamente o país onde iniciei a minha atividade missionária em novembro de 1996. Fiquei por cá até 2014, ano em que regressei a Portugal. Poderão imaginar a alegria que senti ao receber autorização para regressar ao que chamo “o meu primeiro amor missionário”. Assim, pude vir renovar a minha consagração à missão no país que me desafiou, ajudou e ensinou a ser missionário. Este crescimento deveu-se tanto aos meus irmãos de congregação que já aqui se encontravam – os primeiros quatro pioneiros chegaram em janeiro de 1988 – como a tantos amigos e benfeitores. Destaco, em especial, o grupo das “imwondul”, ou seja, as colaboradoras mais próximas e ativas na nossa missão.

Foi aqui que as palavras de um dos nossos missionários – partilhadas durante uma visita ao noviciado, quando eu estava em Itália (agosto de 1991 a agosto de 1992) – ganharam vida: “A primeira forma de viver e ser missão é através da amizade.” Por outras palavras: mesmo sem dominar a língua, a cultura ou os costumes, o meu coração estava disponível para abraçar o desconhecido que, aos poucos, se foi tornando conhecido, amigo e… família!

Sim, a nossa família missionária é constituída por milhares de amigos e benfeitores espalhados pelos 33 países onde estamos presentes, sem os quais a nossa missão não seria possível. O desafio mais importante da nossa missão no mundo – enquanto seres humanos, cristãos e missionários – é cultivar e viver a amizade que nos une e nos torna uma verdadeira família de fé e de missão. Que possamos todos renovar, sobretudo neste ano do centenário da morte de São José Allamano, a nossa identidade como família missionária, partilhando com todos a nossa fé e amizade, a exemplo de Maria Consolata, a primeira missionária de seu filho, Jesus Cristo.

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