Obras de arte, peças de artesanato e fotografias que envolvem os utentes do Centro de Apoio a Deficientes João Paulo II dão forma à exposição “Pintar afetos”, que pode ser conhecida até 27 de fevereiro no Consolata Museu, em Fátima. As telas em exposição contam com o contributo de Antónia Neves, uma pessoa não verbal e com dificuldades motoras, mas com “grandes capacidades cognitivas”, como destacou Maria Serrano – a sua educadora social que a acompanha há 25 anos – durante a inauguração da mostra.
“A Antónia tem uma pintura muito especial. Ela tem muitas dificuldades nas suas mãos. Pinta traço a traço e gosta muito de usar várias cores. Ela pinta apenas com canetas porque não tem força na mão para usar lápis. Nós temos que perguntar qual é a cor que ela quer, e vamos nós tirar a caneta que ela tem na mão e pôr a outra cor”, explicou Maria, que foi a voz da Antónia na abertura da exposição, que aconteceu ao final da tarde da última sexta-feira, 23 de janeiro, com a presença de vários funcionários e utentes do Centro João Paulo II.
Através de uma das suas tabelas de comunicação, que são criadas pela terapeuta da fala que a acompanha, Antónia aponta para o que deseja exprimir. Graças a esta forma de comunicação, ela pode manifestar as suas emoções, dizer se lhe dói algo ou indicar o que deseja comprar, por exemplo. Após algum esforço devido às suas dificuldades motoras, Antónia indicou na sessão de inauguração – “Obrigada” e “Estou contente”. A educadora Maria disse que “é preciso tempo para perceber” a Antónia. “Ela tem dificuldade para apontar, mas chega lá e a gente percebe. É preciso olhar para ela”, afirmou.
As obras expostas são o resultado da aplicação da técnica decoupage e envolvem contornos figurativos da autoria de Cláudia Farinha e de outros autores desconhecidos. “As imagens escolhidas foram as mais simples possível, para realçar a pintura dela”, disse Maria Serrano à FÁTIMA MISSIONÁRIA.
Aos presentes, Maria destacou o que fascina em Antónia. “Temos aqui momentos, horas infindáveis. Ela pinta no seu silêncio, entre os seus pensamentos e descontentamentos. O foco dela é sempre a pintura. É uma pintura realizada traço a traço, com uma determinação e um empenho admiráveis. Eu admiro muito a Antónia por isto.”
O padre Simão Pedro, diretor do Consolata Museu, manifestou também a sua admiração com o trabalho de Antónia. “Fiquei muito surpreendido quando surgiu este projeto. É uma ideia original e temos aqui obras de arte que são o resultado de muitos afetos e que merecem ser apreciadas.” A exposição “Pintar afetos” junta o Centro João Paulo II, o Consolata Museu e a sua Liga de Amigos.











