Maria era jovem. Estudava e sonhava, como outros jovens, ser construtora de uma nova história. A entrada na faculdade alimentava a esperança de descobrir como fazê-lo. Mas tudo o que aprendia parecia-lhe muito pouco.
Candidatou-se a uma bolsa para um mestrado em Relações Internacionais e Direitos Humanos. Talvez assim pudesse contribuir para a paz em algum local do planeta… A resposta chegou e a esperança disparou:
– Vou mesmo aprender como contribuir para a paz!
Foi neste embalo que arrumou a mala e que voou rumo à universidade de um outro continente. Tudo era encantador para os olhos de Maria. Absorvia cada novo conhecimento como a página de um novo livro onde também ela poderia ser autora. Um dia, um tema de uma conferência chamou a sua atenção: ”Projeto imaginação heroica”. Entrou e, ainda antes de se sentar, ouviu o professor conferencista afirmar:
– Todos nós podemos ser heróis.
Não um herói de capa como os dos desenhos animados ou filmes fantásticos, ou daqueles que saem nas primeiras páginas dos jornais, dizia o professor. É bem mais fácil e eficaz do que isso: é um jeito de ser herói na vida, que olha o que está à sua volta, que se importa e que, por isso, atua, contribuindo, em todo o tempo, com o que pode. Só é preciso estar atento e querer ser parte positiva da história de alguém. Mas há uma condição obrigatória: abandonar o olhar centrado em si e nos seus interesses, e dar lugar a um olhar responsável sobre o outro que está em redor.
O entusiasmo era muito, e Maria quis começar logo a experimentar, ela própria, o efeito desta nova mentalidade de herói.
– É como manter viva a identidade de escuteiro todos os dias, pensou, recordando a sua experiência passada nos escuteiros, mas agora com outro conhecimento, outra maturidade, e com critérios de cientificidade.
Naquela sala, o sonho de Maria passou a ter um nome que abraçou: “Imaginação heroica”. Queria ir pelo mundo anunciar isto: posso pensar como herói, sonhar como herói, sentir como herói, agir como herói!
Olhou à sua volta. Viu a assembleia tão entusiasmada que acreditou que cada um dos presentes realizaria e divulgaria este projeto, e então a onda de humanidade seria imparável.
– Eu farei a minha parte! Está decidido! Disse Maria a si mesma.
O mestrado chegou ao fim e Maria não se esqueceu do projeto, agora também seu.
De regresso a casa, ao iniciar a sua nova atividade como professora de Direitos Humanos na universidade, desafiou alguns alunos a deixarem-se cativar e abraçar por este projeto, como um desafio das suas vidas de estudantes, enquanto ela própria percorria o país a passar a paixão e a certeza de que todos nós podemos ser heróis.
Depois de criada uma associação com os primeiros entusiastas, os apoios não se fizeram esperar, e com eles, uma onda crescente de humanismo, como se, em cada lugar, houvesse alguém à espera de um diretor de orquestra, ansiosos por poderem tocar a mesma música de solidariedade, mesmo que ela fosse cantada no silêncio de cada coração e na intimidade de cada nova história de solidariedade construída.
Com a “Imaginação heroica” a entranhar-se no modo de ser, de observar e de agir de Maria e do seu grupo, nasce uma partilha de lições de esperança, na alegria de estarem a escrever todos os dias, com alguém, bocadinhos de histórias felizes!








