O padre Román de la Cruz, responsável por uma pequena comunidade católica numa região mexicana onde grupos criminosos disputam rotas de tráfico de combustível, foi assassinado a tiro | Foto: DR

O padre Román de la Cruz, de 48 anos, foi assassinado a tiro na terça-feira, 15 de setembro. O religioso era, desde 2024, o pároco de Santa Cruz, em Huejutla, no estado de Hidalgo, no México, uma região onde grupos criminosos disputam rotas de tráfico de combustível. Em comunicado, a Conferência Episcopal Mexicana manifestou “indignação, tristeza e solidariedade” para com a Igreja de Huejutla e pediu às autoridades uma “investigação exaustiva” para esclarecer o crime.

Em comunicado, o bispo da diocese de Huejutla, José Acosta Beltrán, referiu a “situação alarmante de violência que se vive” no país. O corpo do sacerdote foi encontrado no dia seguinte, 16 de setembro, na berma de uma estrada que liga as localidades de Tolago e Tetlapaya. De acordo com a imprensa local, junto ao corpo encontrava-se um bilhete com uma mensagem ameaçadora, embora o conteúdo não seja conhecido.

O mais recente relatório da Fundação Ajuda à Igreja que Sofre (AIS) sobre a liberdade religiosa no mundo, publicado em outubro de 2025, indica que, em 2023 e 2024, “pelo menos 13 líderes religiosos foram assassinados no México, Colômbia, Equador, El Salvador, Guatemala e Honduras”. O documento acrescenta que “outros 16 missionários e leigos foram assassinados em ambientes pastorais no Equador, Haiti, Honduras e México”, aos quais se somam “as mortes de outros nove leigos no México no início de 2025”.

Segundo o relatório, estes crimes refletem a “insegurança em torno do ministério em áreas voláteis e de elevado conflito”. Nestes contextos, “os líderes religiosos ocupam um lugar significativo nas suas comunidades, e a sua influência torna-os alvos de ataques e intimidação”. O mesmo se aplica “àqueles que ousam criticar regimes autoritários”, e que acabam por ser “vistos como uma ameaça e podem estar sujeitos a represálias”. No mesmo país, registam-se ainda casos de “extorsão a Igrejas e líderes religiosos” sob o pretexto de “pagamentos por alegada ‘proteção’ contra gangues rivais”.

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