Frei Jorge chegou pontualmente como era seu hábito. À sua espera, Inês e Ana aproveitavam o acolhimento e a proteção da chuva que a Igreja oferecia.
As duas amigas, colegas de profissão, partilham do sentido ético da vida, onde a participação individual no Projeto de Todos é condição de desenvolvimento pessoal e evolução social.
Também por isso, foi a Ana que Inês procurou para contar o sonho que vinha a alimentar: formar uma organização de voluntários que, regularmente, ofereçam a pessoas impossibilitadas de sair de casa (por limitações de alguma natureza), um “abraço de sol”, traduzido em passeio por locais que desejem conhecer ou revisitar. Sobretudo, permitir-lhes sentir o abraço de alguém, da natureza, da vida! Sentir a vida!
Ana, na sua qualidade de colaboradora nos projetos da paróquia, sabia que aquele seria um desafio que, se pudesse, Frei Jorge abraçaria. Apresentou-o e teve logo o acolhimento que esperava.
Frei Jorge iniciou aquele encontro apresentando-se. No retrato que faz, vimos as suas origens familiares e os valores aprendidos, a sua história, a vocação e o seu percurso que o trouxera até aqui: Este era o Frei Jorge – livre de filtros ou floreados. E com a mesma naturalidade, retratou a história da paróquia: a construção de uma igreja no local então disponível – uma garagem. E desde sempre, o grande desafio de auscultar e ajudar a criar respostas às necessidades específicas das famílias: assim nasceu o lar residencial para idosos, o centro de dia, a creche e infantário e a loja social.
– Grandioso, Frei Jorge! É de facto uma grande obra! Assumia Inês, com admiração
– Pois, mas as necessidades são inúmeras: precisamos continuar a ser instrumentos palpáveis da partilha e da esperança do Deus que ama.
Concretizando, Frei Jorge e Ana foram desfolhando os projetos a aguardar aprovação oficial, onde a nova Igreja, um novo centro de dia para idosos, o novo infantário e creche, e espaços para formação humana e religiosa (catequese), completavam o projeto inicial.
– E acreditamos poder criar um centro de apoio familiar e aconselhamento parental. É aqui que entras tu, Inês – adiantou-se Ana, introduzindo a nota para o ponto seguinte.
– Exatamente – confirmou Frei Jorge. Temos profissionais de várias áreas a colaborar connosco. E queremo-la no grupo! Podemos contar consigo?
– Mas… é que eu… eu vinha com a expetativa de um outro projeto, e afinal já têm tantos! Vejo que não vai ser possível…
– Nada disso, Inês! A Ana já nos tinha informado dessa sua proposta. É muito bem-vinda e podemos começar a pensar na concretização.
Inês estaria disponível, sim! Havia um longo caminho pela frente – mas fazer esse percurso com outros que apostam nesse mesmo caminho, a desbravar outros campos onde semear novas esperanças – é um presente!
– Claro que sim, Frei Jorge! Ainda não sei bem o quê, mas conto convosco para descobrir!








