Sabemos que o que move o mundo é a economia, pois “sem dinheiro nada feito”, como dizia alguém com quem, recentemente, partilhava ideias sobre a situação social e económica de vários países, incluindo Portugal. A um certo momento, a conversa centrou-se no espírito natalício que, nas últimas décadas, tem visto aumentar o tempo de preparação para as suas festas. Ou seja, ainda se arrumam roupas e outros adereços ligados ao Halloween – festa sem tradição em Portugal mas que aos poucos vai ocupando um lugar saliente na sociedade – e já se preparam um sem-número de elementos natalícios, todos eles associados ao consumo, incluindo na esfera eclesial.
O contínuo esvaziamento religioso nos ditos “países de tradição cristã” está cada vez mais evidente na publicidade e ofertas de imensas formas de mercadoria natalícia. O mesmo acontece em países sem ou com pouca tradição cristã, como é o caso de muitos países da Ásia, nomeadamente a Coreia do Sul, onde vivi e trabalhei como missionário, onde o Natal é quase exclusivamente um acontecimento e oportunidade comercial. Ou seja, o Natal está cada vez menos associado a Jesus Cristo, que continua “a procurar um lugar
na hospedaria para poder nascer” (Lucas 2, 6-7). Daí que um dos maiores desafios que a Igreja deve abraçar é o de ajudar a humanidade a conhecer a figura principal do Natal.
Porém, mais do que criticar o que se passa na sociedade em geral, a Igreja deve, em primeiro lugar, olhar para si mesma e questionar se os seus membros se preocupam em preparar o verdadeiro “estábulo” onde o Menino Jesus quer nascer diariamente: o coração de cada cristão, de cada batizado. Só assim poderá o Evangelho ajudar a Igreja a dar continuidade à missão para a qual Jesus veio ao mundo: aproximar o coração de Deus ao coração da humanidade, testemunhando os valores que promovem e valorizam a vida em todas as suas dimensões. Só assim poderá o Evangelho ser Boa Nova: “Boa”, porque é centrado na bondade e “Nova” porque apresenta uma nova forma de entender Deus
e o ser humano.








