As estradas e caminhos de Moçambique, sobretudo nas zonas rurais, voltaram a encher-se de pessoas a caminhar a pé, por causa da limitação à lotação dos transportes públicos determinada pela pandemia de Covid-19. Há moçambicanos a ter que percorrer cerca de 40 quilómetros, descalços, ou de chinelos, para comprar bens essenciais ou vender a sua produção nos mercados.
“Não conseguimos subir no ‘chapa’ [os furgões ligeiros transformados em transporte coletivo]. Dizem que não podem levar mais ninguém e estamos a andar daqui até à cidade, a pé. Isso torna a vida difícil”, disse à agência Lusa Maria Vilasse, uma camponesa de Marera, a 20 quilómetros de Chimoio, capital da província de Manica.
Outra camponesa, Fátima Paulino, adiantou que a escassez de lugares nos transportes e a obrigatoriedade do uso de máscara estão a complicar a vida de muitas famílias. “Alguns carros até passam sem muita gente e quando paramos para subir exigem máscara. Sem máscara você não sobe e tem de caminhar até à cidade. A sobrevivência está difícil e o dinheiro não está a circular”, lamentou a mulher, moradora em Macate.
Para Fátima António, moradora em Boavista, o novo coronavírus está a ser mais severo para a economia familiar, do que o ciclone Idai, que a afetou severamente há um ano, porque agora tem que vender a produção a preços muito baixos. “A doença está a trazer-nos sofrimento. Vim da moagem, mas sei que estou proibida de circular e devia ficar em casa em isolamento. Tudo está a parecer uma punição, porque estamos a enfrentar dois problemas; a doença e a falta de transporte e compradores”, admitiu.
Moçambique está em estado de emergência pelo menos até ao final de abril, com espaços de diversão e lazer encerrados, proibição de todo o tipo de eventos e de aglomerações. Durante este período, há limitação de lotação nos transportes coletivos, as escolas estão encerradas e a emissão de vistos para entrar no país está suspensa.








