Ativistas reuniram-se em frente aos escritórios do Congresso em Washington, D.C., no dia 7 de maio. O grupo esteve presente e deu apoio à Cimeira Conjunta de Defesa dos Direitos Cristãos. Foto © Derrick B.A./Cimeira Conjunta de Defesa dos Direitos Cristãos

“Em vez de financiar guerras, a nossa fé chama-nos a alimentar os famintos, defender os oprimidos e trabalhar por uma paz justa. Estamos aqui para pressionar o Congresso a implementar esses valores”, afirma Allison Tanner, pastora batista e líder de uma cimeira de mais de 40 organizações cristãs, realizada no início deste mês, em Washington, nos Estados Unidos da América.

Num comunicado à imprensa citado pela revista America, na última quarta-feira, 13, a cimeira diz pretender pressionar o Congresso dos EUA para que ponha fim à venda de armas americanas para Israel e retome o financiamento da ajuda humanitária aos palestinianos.

Especificamente, a coligação exige o restabelecimento do financiamento à Rede de Hospitais de Jerusalém Oriental (EJHN, na sigla em inglês), composta por seis unidades de saúde, que fornece aos palestinianos em Gaza e na Cisjordânia serviços e cuidados de saúde que foram interrompidos, com a ação destruidora do exército de Israel, depois dos ataques mortíferos do Hamas em Israel, em 7 de outubro de 2023.

A coligação defende igualmente o retomar o apoio à Agência das Nações Unidas para a Assistência aos Refugiados da Palestina (UNRWA), matéria mais complicada, depois da acusação do lado  israelita de que teria havido centenas de funcionários desta organização implicados no ataque do Hamas. A acusação, desmentida pela UNRWA, levou a administração Biden a suspender a ajuda humanitária. Em 30 de abril deste ano, a Agência dos Estados Unidos para o Desenvolvimento Internacional (USaid) divulgou um comunicado em que alega ter “encontrado provas que ligam quatro funcionários atuais ou antigos da UNRWA à participação no ataque de 7 de outubro”. Essa investigação ainda não foi encerrada.

Eli McCarthy, membro da Rede de Ação Franciscana (uma das organizações envolvidas na cimeira) e defensor da paz justa, disse, a propósito, à revista America, que a restauração do financiamento à EJHN e à UNRWA é “crucial para lidar com a crise humanitária em curso, causada pelo que ele caraterizou como ‘limpeza étnica e genocídio’ em Gaza.

A cimeira de Washington, que reuniu para cima de 300 líderes e ativistas cristãos – católicos, protestantes e ortodoxos – faz também finca-pé no fim do fornecimento de armamento ligeiro e pesado às forças armadas de Israel, que tem servido para uma política de matança de pessoas e de destruição de infraestruturas vitais, além de uma grande parte das habitações da população.

A suspensão das vendas de armas americanas para Israel é, para McCarthy, “a mais desafiadora e também uma das mais críticas”, já que, embora colida com leis do país relativas a padrões humanitários e de direitos humanos dos países beneficiários, continua a beneficiar do apoio do Congresso. Ainda assim, tem vindo a crescer entre os democratas o apoio ao bloqueio da ajuda militar a Israel. E, sobretudo, a opinião pública estadunidense mostra-se cada vez mais reticente relativamente ao apoio ao seu aliado no Medio Oriente.

O artigo cita dados de março deste ano, do Pew Research Center, segundo os quais 60 por cento dos americanos têm agora uma visão desfavorável sobre Israel, em comparação com 42 por cento em 2022. Entre os segmentos mais jovens dos cidadãos eleitores (dos 18 aos 49 anos) essa percentagem é ainda mais elevada: 7 em cada 10 têm uma visão “desfavorável” ou “muito desfavorável”.

Texto redigido por 7Margens, ao abrigo da parceria com a Fátima Missionária.

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