O primeiro bairro embaixador dos 17 Objetivos de Desenvolvimento Sustentável (ODS) a nível mundial localiza-se na Amadora, em Lisboa. Ao longo dos últimos meses, 20 artistas – nove mulheres e 11 homens – deslocaram-se até ao Bairro do Zambujal, entraram em contacto com a população e transpuseram para as paredes dos edifícios pinturas de grande dimensão.
As obras, criadas com o apoio de várias entidades parceiras e financiadoras, são 17 – tantas quantos os ODS que representam. As pinturas incidem sobre a importância de acabar com a pobreza e a fome, abordam a necessidade de uma saúde e de uma educação com qualidade, aludem à igualdade de género e à importância da água potável e do saneamento. Retratam ainda as energias renováveis, o trabalho digno, a redução das desigualdades, o consumo sustentável, a proteção da vida marinha e terrestre e a promoção da paz e da justiça.
“Falar do Zambujal é falar de resistência, união e esperança”, disse Vítor Monteiro, presidente da associação CAZAmbujal, que promove este projeto – intitulado “Zambujal360” – com o apoio de uma equipa ligada aos Missionários da Consolata, congregação religiosa presente no bairro há mais de 20 anos. Por ocasião da inauguração deste projeto, no passado dia 22 de outubro, Vítor referiu que muitas pessoas podem definir um bairro social como um “foco de dificuldades”, mas, ali, encontram-se “histórias de superação, famílias que lutam com dignidade, crianças com grandes sonhos e pessoas que não desistem de acreditar num futuro melhor”. Algumas dessas pessoas estão, aliás, “espelhadas nos murais” deste projeto. “No Zambujal, cada rua conta uma história, cada rosto carrega um exemplo e cada cultura enriquece, transformando-se, assim, numa comunidade com uma identidade própria, mostrando que juntos somos muito mais fortes. Uma comunidade de coração grande, que sabe e gosta de acolher.”

A galeria de arte está aberta a visitas, que podem ser guiadas por jovens locais, depois destes receberem formação. Segundo Mário Linhares, um Leigo Missionário da Consolata presente no Bairro do Zambujal, até ao momento, “mais de duas mil pessoas” visitaram o local, e as visitas guiadas já foram “mais de 200”. Atualmente há “cinco jovens locais em formação”, destacou o também desenhador e professor, num documento enviado à FÁTIMA MISSIONÁRIA, onde realça que esta iniciativa já recebeu “três prémios nacionais”.
Mário explica que o Bairro do Zambujal “foi construído entre os anos 70 e 90 do século XX”, sendo que o projeto de arquitetura da segunda fase, datado dos anos 80, “ganhou o prémio da Associação Internacional de Críticos de Arte”. Naquele território, vivem cerca de 5 mil pessoas. “A principal comunidade é a portuguesa migrante, a segunda é a cabo-verdiana e a terceira é a comunidade roma (cigana)”, refere o desenhador, realçando que “a relação entre todos é pacífica”. Conhecer estas obras de arte pode ser também uma ocasião para apoiar o comércio local, num bairro onde “existem 25 estabelecimentos comerciais”.
De acordo com Mário, os próximos passos deste projeto envolvem a criação de uma biblioteca comunitária e de uma “rede de amigos dos jardins, para o cuidado e a manutenção dos espaços comuns”. Prevê-se ainda a criação de um “estúdio de música com equipamento para gravação” e de um espaço dedicado à olaria. Além disso, pretendem-se “criar bolsas de estudo universitárias, para dar oportunidade aos jovens que gostam de estudar”.
A obra de arte dedicada ao segundo ODS – erradicar a fome – foi elaborada pela artista Lígia Fernandes. Em instagram.com/zambujal360/ podem ser conhecidas imagens e diversos detalhes sobre esta e outras obras – “Neste mural debate-se não só a erradicação da fome, mas também a qualidade da alimentação, o cuidar e o respeitar a terra. Quando visitarem o bairro, talvez encontrem as pessoas aqui representadas. Aproveitem para dar uns toques de bola com o Giovani, conversar com a doce Camila e provar os pastéis de massa tenra da senhora Domingas, e perguntem pelas batukadeiras de Cabo Verde – vão ver como os olhos lhe brilham.”









