Pessoas exaustas e com a sensação de “vazio” procuram mosteiros para repousar | Foto: DR

Num país onde os católicos representam menos de dois por cento da população e as ordens contemplativas estão escassamente presentes, o modo de vida em três mosteiros no sul da Suécia tem suscitado interesse, mas também reprovação. Um dos exemplos é o mosteiro carmelita de Glumslöv, onde habitam 13 religiosas, cuja “principal missão é a oração contemplativa”, indica o Vatican News, o portal de informação da Santa Sé.

O contacto destas irmãs com o exterior é escasso. “As visitas familiares estão limitadas a sete dias por ano” e a comunicação acontece, sobretudo, “por carta”, sendo que “o aumento dos custos de correio torna-a mais difícil”. As notícias são dadas à comunidade pela madre prioresa e pelas visitas ocasionais. Alguns dos vizinhos do mosteiro “têm uma atitude positiva” em relação à vida das irmãs, mas outros reprovam o toque dos sinos e usam expressões pouco abonatórias sobre a fé e o catolicismo.

No mosteiro dominicano de Rögle residem apenas quatro irmãs, mas, aos domingos, a igreja é visitada por pessoas que ali pernoitam. A irmã Verónica, uma dominicana citada pelo Vatican News, refere que “muitos” dos visitantes não são católicos. “Eles dizem: não sei quem sou. Desejo o silêncio, quero encontrar-me”, refere a religiosa. “As pessoas não vêm porque procuram a Igreja Católica. Vêm porque se procuram a si mesmas”, afirma a irmã, originária de Paris e a única estrangeira da comunidade.

No mosteiro beneditino Heliga Hjärtas vivem 14 monjas. São elas que gerem a “Casa do silêncio”. Segundo a mesma fonte, naquele espaço “são acolhidos indivíduos e pequenos grupos, muitas vezes pessoas sem vínculos religiosos, mas animadas por um desejo espiritual”. A irmã Katharina afirma que muitos dos que ali chegam “nem sequer sabem o que procuram”. No entanto, é no mosteiro que “encontram algo que os sensibiliza”, refere. “Muitas vezes dizem que vêm para descansar e ouvir a oração.”

De acordo com o Vatican News, a procura por aquele espaço “é superior à capacidade”. A irmã Katharina caracteriza os que chegam a Heliga Hjärtas: “Muitos trabalham no setor da saúde ou da educação. Sentem-se exaustos, vazios. Dizem: ‘Aqui podemos falar de coisas importantes.’” Apesar de atualmente não haver noviças, é grande a esperança de novas vocações, uma vez que há interesse pela vida monástica. “Não devemos fazer grandes coisas. É suficiente viver com Cristo e irradiá-lo através da nossa vida”, considera a irmã Katharina.