Entre 2015 e os primeiros seis meses de 2019, foram assassinados pelo menos 232 defensores dos territórios indígenas na América Latina, o que dá uma média de quatro mortes por mês e demonstra o risco que correm os líderes dos povos nativos por lutarem pelos seus direitos, revela um estudo conjunto da Comissão Económica para a América Latina e Caraíbas e o Fundo para o Desenvolvimento dos Povos Indígenas da América Latina e Caraíbas.

Segundo o documento, apesar de há mais de três décadas ter sido adotado o Convénio sobre Povos Indígenas e Tribais da Organização Internacional do Trabalho (OIT), os povos autóctones da região – cerca de 60 milhões de pessoas – continuam a ser um dos coletivos com maiores atrasos em matéria económico-social.

“Devemos acabar com a cultura do privilégio que naturaliza as desigualdades, as discriminações e que herdámos da colónia. Temos que vencer a cultura do privilégio e promover uma cultura de igualdade que respeite especialmente a grande riqueza dos povos indígenas”, sublinhou a secretária executiva da Comissão, Alicia Bárcena.

O relatório disponibiliza um panorama atualizado sobre a situação dos direitos territoriais e das florestas, a demografia e o direito ao bem-estar dos povos indígenas da América Latina, com o objetivo de apoiar a implementação da Agenda 2030 e as ações urgentes para acelerar o cumprimento dos compromissos assumidos pelos países da região.