Desde reclusos a empregados do setor têxtil, muitos europeus agarraram-se à máquina de costura para ajudar a minimizar a escassez mundial de máscaras, face à pandemia do novo coronavírus
Há uma semana, uma pequena empresa da República Checa, instalada a 100 quilómetros de Praga, produzia roupa de cama em nanomenbranas, um tecido com uma pequena capa de nanofibras para proteger as pessoas alérgicas aos ácaros. Mas depois do novo coronavírus começar a fazer estragos na Europa, a Nanospace passou a produzir 10 mil máscaras com nanomembranas por dia, para dois hospitais do sul do país.
“Faturamos as máscaras a preço de custo. Se os hospitais encerram por causa da falta de máscaras, a nossa região terá grandes problemas”, justificou às agências internacionais o diretor comercial da empresa checa, Jiri Kus.
Depois da Organização Mundial de Saúde (OMS) ter aconselhado o uso desta proteção respiratória para evitar a disseminação do vírus, o exemplo da empresa checa foi seguido por muitas empresas e particulares, um pouco por toda a Europa, enquanto milhões de pessoas estão confinadas nas suas casas.
Em Itália, que se converteu no país mais afetado pelo vírus com quase 5.000 mortes num mês, o fabricante de roupa Miroglio trocou o fabrico de roupa feminina pelas máscaras. E em pouco tempo conseguiu passar a produzir 75 mil unidades pode dia, tendo como objetivo as 100 mil unidades diárias, segundo o diário La Stampa. As empresas espanholas também seguiram estes passos, caso da fábrica de bolsas Diseños NT, ou da gigante Inditex, que já anunciou a produção de máscaras em algumas das suas unidades industriais.
Nas prisões, as mulheres detidas nas cadeias da Lituânia esperam produzir 10 mil máscaras por semana para proteger o pessoal dos centros penitenciários, os reclusos e os seus advogados, e na Hungria, os presos fabricaram em fevereiro cerca de 300 mil máscaras para o setor sanitário. Também na Bulgária dezenas de fábricas de roupa passaram a dedicar-se à produção deste tipo de artigo.
Os empresários portugueses não ficaram indiferentes a esta nova ameaça e a empresa têxtil Sonix, por exemplo, decidiu suspender a produção normal e está já a fabricar equipamentos médicos, como batas e máscaras, para responder aos apelos dramáticos lançados por algumas unidades de saúde do norte do país, onde a empresa está sediada
