Numa altura em que as casas «rapidamente se tornam estreitas» devido à situação de isolamento social como medida de contenção do Covid-19, diversos organismos apelam à redescoberta dos «relacionamentos humanos»
A redescoberta dos laços familiares é um dos apelos feitos à população pela Federação das Associações de Famílias Católicas da Europa (FAFCE), no âmbito da situação de isolamento social em que muitos se encontram no continente europeu, com o propósito de conter o novo coronavírus (Covid-19). Os membros deste organismo apelam ao reforço de laços, porque, caso contrário, «é a solidão que corre o risco de se espalhar».
«Não é fácil ficarmos juntos por um longo tempo em casas que rapidamente se tornam estreitas. Mas, ao mesmo tempo, vivemos esse momento como uma oportunidade para redescobrir os nossos relacionamentos humanos e reconhecer o papel essencial da família nas nossas sociedades», refere Vincenzo Bassi, presidente da federação que representa 27 associações nacionais e locais.
O responsável italiano expressa os «mais calorosos desejos» a todos os agregados familiares da Europa, sem os quais não se poderia «superar esta fase» da prevenção da doença. «As medidas de emergência adotadas para as famílias devem ser universais e automáticas. Não devem depender dos rendimentos nem envolver procedimentos burocráticos, mas devem ser facilmente acessíveis a todos», refere Vincenzo Bassi, em comunicado.
O responsável afirma que num cenário destes, qualquer pessoa tem uma parte de «responsabilidade em relação ao bem comum». «As famílias, em particular, são chamadas a redescobrir-se como igrejas domésticas, o principal local para a transmissão da fé. Os conselhos para a liturgia doméstica já são apresentados online e as novas tecnologias oferecem alternativas para permanecer ligado em oração», aponta o responsável.
Por sua vez, Antoine Renard, presidente honorário da Federação das Associações de Famílias Católicas da Europa, dá realce ao serviço prestado pela família à sociedade e lembra que, em situações de emergência, os «médicos e as equipas de enfermeiros são apoiados pelas suas famílias», incluindo pessoas mais vulneráveis, «como os idosos». A FAFCE contabiliza a existência de cerca de 44 milhões de famílias unipessoais na Europa, com 32 por cento das pessoas com mais de 65 anos a viverem sozinhas. «Devemos garantir, por todos os meios possíveis, esse contacto com os idosos e ser muito pró-ativos para manter essas relações e evitar a solidão», apela Antoine Renard.
