João Gonçalves, coordenador nacional da Pastoral Penitenciária

Numa altura em que estão proibidas as visitas às prisões, a Igreja Católica demonstra a sua disponibilidade para apoiar qualquer recluso que «precise de falar»

Apesar de estarem «proibidas todas as visitas» aos estabelecimentos prisionais em Portugal, a Igreja Católica mostra-se disponível para acompanhar qualquer recluso que «precise de falar», conforme anunciou João Gonçalves, sacerdote e coordenador nacional da Pastoral Penitenciária, um organismo da Igreja Católica em Portugal.

«Estamos disponíveis para qualquer chamada, qualquer tipo de urgência e vamos sem receio conversar, dialogar e recriar a esperança nas pessoas para que se evitem outras situações mais graves», disse o responsável, citado pela agência Ecclesia. De acordo com o religioso, a Igreja Católica irá sempre dar resposta a «qualquer caso», através de um assistente espiritual e religioso.

João Gonçalves afirma que perante o atual cenário de contenção do coronavírus (Covid-19), aquilo que se pretende é «ajudar o mais possível». Segundo o sacerdote, foi enviada uma mensagem a todos os assistentes, colaboradores, voluntários prisionais e simpatizantes da Pastoral Penitenciária, para que «estejam abertos ao espírito de colaboração, de presença, para que nenhum recluso sinta que estão `fora, longe, com medo´».

O religioso de Aveiro conta que nos últimos dias o telefone «tem tocado de uma maneira extraordinária», uma vez que as pessoas têm «perguntas, sugestões, opiniões», para responder com «o apoio humano, espiritual de que as pessoas têm necessidade». João Gonçalves considera que o atual panorama vivido no país vai levar as pessoas a pensar que «afinal, o poder do dinheiro não é tudo».