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Duas dezenas de mulheres iemenitas regressaram a uma unidade de produção que estava encerrada há mais de uma década para produzirem proteções contra o novo coronavírus

A situação particularmente tensa que se vive no Iémen, com um sistema de saúde quase inexistente depois de vários anos de guerra civil, levou duas dezenas de mulheres a regressar à mais antiga fábrica do país, que estava encerrada há mais de uma década, para fabricar máscaras de proteção contra o novo coronavírus (Covid-19).

«Estamos a trabalhar nas máscaras desde segunda-feira [16 de março] e, graças a Deus, começámos antes que a epidemia nos afete, e com esta medida de precaução não teremos necessidade de importá-las», afirmou uma das trabalhadoras, que, juntamente com as colegas, está numa corrida contra o tempo para fazer face à pandemia que já afeta duramente os países ricos e desenvolvidos.

O Iémen, um país assolado pela guerra e descrito pelas Nações Unidas como o cenário da pior crise humanitária do planeta, não registou ainda nenhum caso de Covid-19. Ao contrário de outros países vizinhos, não tomou medidas drásticas para prevenir a propagação, pois várias regiões do país estão entrincheiradas e os contactos com o exterior estão limitados.

A fábrica agora reativada foi desenhada pela China e aberta em 1967 para produzir algodão, uma das atividades essenciais para a economia do país nos anos 1970. Na altura, produzia diversas peças de vestuário, assim como uniformes militares, antes de fechar em 2005.

Várias zonas do complexo foram danificadas pelos bombardeamentos aéreos e outras ficaram em ruínas. Agora, a esperança é que com esta crise sanitária, a fábrica possa voltar a funcionar com todo o seu potencial. Abdulá Shaiban, responsável pela unidade, espera que com 80 máquinas de costura a trabalhar, possam ser produzidas diariamente entre 8.000 a 10 mil máscaras.