Alerta partiu de uma especialista das Nações Unidas que aconselha a um maior esforço por parte dos líderes mundiais para darem uma resposta coordenada a este fenómeno

Um novo relatório apresentado ao Conselho de Direitos Humanos das Nações Unidas aponta falhas dos países no combate à venda e exploração sexual infantil, tanto online como offline. A autora do documento alerta que o tráfico de menores persiste a nível internacional e recomendou aos Estados-membros que tudo façam para cumprir as suas obrigações legais e compromissos políticos nesta matéria.

No relatório, Maud de Boer-Buquicchio destaca que as vítimas são coagidas a participar de espetáculos pornográficos na internet, e que, seduzidos com falsas promessas, meninas e meninos acabam por entrar em práticas como «comércio sexual, servidão doméstica, mendicidade, trabalho e casamento forçados». Um fenómeno que tem aumentado «a um ritmo alarmante», acompanhando o «crescimento exponencial das tecnologias de internet e comunicação».

Segundo a especialista, a falta de responsabilização faz aumentar a procura e perpetua o abuso das crianças mais vulneráveis, já que não têm sido cumpridas as promessas de proteção de crianças, de oferta de serviços e cuidados de reabilitação que elas precisam. «A prevenção é essencial e deve começar com os países a abordar as causas desses crimes. A recomendação é que haja mais atenção às construções sociais, culturais, de género e institucionais que criam um ambiente em que a exploração sexual de crianças é ignorada, tolerada ou aceita», conclui Boer-Buquicchio.