Organização de defesa dos direitos humanos manifesta-se preocupada com a propagação de mensagens misóginas por parte de alguns líderes políticos e religiosos
O aumento das políticas opressivas e sexistas e a tendência para a propagação de mensagens de ódio contra as mulheres estão a preocupar os dirigentes da Amnistia Internacional (AI), segundo um comunicado divulgado pela organização, a propósito do Dia Internacional da Mulher, que se assinala este domingo, 8 de março.
«É preocupante que este tipo de discursos faça parte das agendas políticas, algo que parece uma estratégia global contra os direitos das mulheres», afirma Ana Rebollar, diretora adjunta da AI de Espanha, criticando a normalização de um discurso que defende os valores tradicionais e uma determinada conceção de família, que «impulsiona uma agenda que nega a igualdade como direito das mulheres».
No documento, a AI recorda que a violência contra as mulheres é um tipo de agressão que apenas elas sofrem, simplesmente pelo facto de serem mulheres, e é um flagelo que existe em todos os países. E lamenta que alguns partidos políticos queiram ocultar este tipo de violência envolvendo-o num conceito amplo que é a esfera familiar, inviabilizando e negando a desigualdade estrutural que está na base das agressões contra as mulheres.
Para os ativistas de direitos humanos, uma das principais batalhas em diversas partes do mundo é a educação em igualdade, diversidade e sobre como combater a violência de género. E dão o exemplo do México, onde são assassinadas em média 10 mulheres por dia, ou da Arábia Saudita «que tenta limpar a imagem de violações de direitos humanos dando a conhecer avanços conquistados por mulheres, como o direito a conduzir, embora mantenha presas ativistas como Loujain al-Hathloul, detida por ter publicado um vídeo a conduzir».
