Milhares de trabalhadoras manifestaram-se contra a privatização das terras, os cortes no investimento público e a liberalização de agrotóxicos, determinados pelo governo de Jair Bolsonaro
Cerca de 3.500 trabalhadoras, oriundas de 24 estados brasileiros, concentraram-se esta semana em frente ao Ministério da Agricultura, em Brasília, em protesto contra a distribuição de titularidades individuais dos lotes de terra para os assentados de reforma agrária, a chamada titularização das terras, que visa a privatização das áreas; os cortes nos investimentos públicos; e a liberalização desenfreada de agrotóxicos pelo governo de Jair Bolsonaro.
«Nós sempre defendemos o Contrato de Concessão de Uso (CCU), porque restringe a mercantilização das terras conquistadas, e terra para nós é um bem comum da natureza, e portanto, não pode ser mercadoria», explicou Maria da Silva Trindade, militante do movimento Mulheres Sem Terra (MST).
Em relação ao desinvestimento público, as manifestantes denunciaram as novas políticas de reforma agrária, que extinguiram o Programa Nacional de Educação na Reforma Agrária (Pronera), o programa Terra Sol e outros programas que davam incentivos aos assentados, quilombolas e comunidades extrativistas.
E criticaram não só a liberalização de 474 agrotóxicos em 2019, a maior dos últimos 15 anos, como também a alegada privatização de terras e a consequente devastação ambiental: «Um exemplo é a MP 901/19 que, na prática, irá excluir da proteção ambiental de 4.745 hectares da flora nos estados do Amapá e Roraima e abrir estas áreas para a mineração».
