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Alberto Pellai afirma que «muitos pais estão a ensinar aos filhos a jogar às cartas e jogos de tabuleiro», e que esta pode ser uma oportunidade para «reforçar os laços familiares»

Perante o encerramento de todas as escolas em Portugal, como medida de contenção do novo Coronavírus Covid-19, Alberto Pellai, escritor italiano de 55 anos de idade, propõe, através de um artigo divulgado pelo Secretariado Nacional da Pastoral da Cultura, um conjunto de dicas para que os próximos tempos sejam vividos da melhor forma possível pela população.

Alberto Pellai afirma que ao longo dos próximos dias, grande parte dos adultos com filhos, se verá perante a «convivência forçada» com as crianças. «Sem aulas, sem atividades para os tempos livres, em resumo, sem experiências agregadoras e relacionais de qualquer natureza, os nossos filhos agarram-se a nós e pedem-nos para estar ali, para eles e com eles. Mas nós temos de ser um pouco para eles e um pouco para tudo o resto. E então arrisca-se um estado de inquietação e cansaço. Deseja-se fazer muito, e no fim constata-se a incapacidade de fazer o que quer que seja.»

Perante este cenário, o escritor italiano propõe uma outra via. «Ouso aconselhar uma operação totalmente contrária, para estes dias. Em vez de continuar a manter todos os compromissos em modalidade multitarefa, poderemos experimentar, por quanto seja possível, aproveitar esta crise, transformando-a numa oportunidade para reforçar os laços familiares», apela o autor.

Alberto Pellai deixa à população alguns conselhos, baseados na sua «experiência de pai». «Neste período em que todas as rotinas `saltaram´, provavelmente é preciso aprender a definir novas. Se das 09h00 às 12h00 quisermos estar muito atentos ao nosso trabalho, é fundamental que essas três horas o tempo dos nossos filhos seja igualmente estruturado. Pode explicar-se-lhes que estas são umas férias que têm regras. Que a escola fechou, mas o estudo não. E portanto faz-se com eles um contrato em que `enquanto eu trabalho, tu estudas´. Mais fácil de dizer do que fazer, eu sei. Mas possível», aconselha o italiano.

Outra das opções para os próximos dias é a organização através de «micronúcleos». «Hoje fico eu com os teus filhos, amanhã ocupas-te tu do meu. No dia em que tivermos em casa mais crianças, devemos ser flexíveis e pacientes, e não pensar em encastrá-los dentro de uma programação abarrotada de coisas a fazer», refere o escritor, adiantando que «num clima de emergência, como o atual, é mais fácil experimentar a solidariedade de quem vive próximo».

O autor italiano sugere que esta crise seja aproveitada para «reforçar os laços familiares». «Pela primeira vez, em muitas famílias vai almoçar-se e jantar-se com todos juntos. Muitos pais estão a ensinar aos filhos a jogar às cartas e jogos de tabuleiro. Pode ver-se um filme todos juntos. Com esta aumentada vontade de estar em casa, e cansados de ouvir falar do coronavírus, pergunta-se cada vez mais: e agora, que fazemos? E a resposta que muitas vezes encontramos é inesperada: brincar, falar, rir. Estar juntos».

O escritor pede esforço para «gerir esta operação tão simples e tão complexa ao mesmo tempo, porque dela nos desabituámos». «Antes do coronavírus, as nossas vidas estavam repletas de tudo, apinhadas de compromissos, sempre a correr, e em casa havia mais confronto do que encontro. Agora tudo desacelerou: fica-se mais dentro e menos fora. E talvez, isto, poderá tornar-se também uma vantagem para a nossa vida familiar, se o soubermos compreender como uma oportunidade», afirma Alberto Pellai.