Foto MSF / Leonora Baumann

Coordenador-geral dos Médicos Sem Fronteiras no Haiti alerta para o «impacto devastador» da violência no país

Há três meses em funcionamento, o Hospital de Trauma de Tabarre, administrado pelos Médicos Sem Fronteiras (MSF) em Port-au-Prince, no Haiti, recebeu mais de 360 pacientes que necessitavam de cuidados essenciais, incluindo mais de 220 pacientes com ferimentos provocados por balas, e outros traumatismos relacionados com a violência.

«Desde a abertura do hospital em Tabarre, vimos diariamente o impacto devastador que a violência – desde brigas entre gangues até violência associada a manifestações políticas – tem sobre a vida das pessoas em Port-au-Prince e em outras localidades», referiu Hassan Issa, coordenador-geral dos MSF no Haiti. «O número de ferimentos graves causados pela violência que tratamos reflete a terrível situação que prevalece hoje nas áreas urbanas do Haiti, onde ocorrem regularmente tiroteios e sequestros», disse o responsável, citado pelos serviços de comunicação da organização humanitária.

Com o objetivo de prestar cuidados a mais pacientes, logo depois da abertura deste hospital, os MSF duplicaram a capacidade do espaço, acrescentando mais 50 camas. Desde que esta medida foi tomada, o hospital «permaneceu consistentemente ocupado na sua capacidade quase total, com picos esporádicos nos internamentos, após grandes incidentes de violência ou acidentes», adiantam os MSF.

O pico mais recente de atividade do hospital teve lugar na última semana quando o espaço «teve o maior número de internamentos numa única semana, com 37 novos pacientes hospitalizados». No decorrer do mesmo período, foram organizamos saídas escoltadas para os profissionais de saúde do hospital, «de e para o trabalho, a fim de garantir o serviço 24 horas, apesar das barricadas nas estradas armadas e do toque de recolher em toda a cidade após um tiroteio mortal entre o exército e manifestantes da força policial», explica a organização não governamental.

As causas mais comuns de lesões que têm sido tratadas pelos profissionais do Hospital de Trauma de Tabarre são os tiros (50 por cento dos pacientes admitidos), seguidos por acidentes de trânsito (31 por cento) e outras lesões relacionadas com violência, incluindo ferimentos potencialmente fatais (12 por cento). Além da realização de cirurgias capazes de salvar vidas e do atendimento de emergência, o Hospital de Trauma de Tabarre começou a oferecer a monitorização, acompanhamento e fisioterapia aos pacientes que receberam alta em janeiro.