Foto PMA / Déborah Nguyen

A falta de verbas levou agência da ONU a reduzir para metade as rações alimentares para as populações que sofrem com a falta de alimentos, devido à devastação provocada pelo ciclone Idai

A falta de financiamento do Programa Alimentar Mundial (PAM) obrigou o organismo das Nações Unidas a reduzir para metade as rações alimentares distribuídas pelos moçambicanos que lidam com os efeitos da devastação provocada há um ano pelo ciclone Idai. O problema afeta cerca de 525 mil pessoas na província de Sofala, a mais prejudicada pela catástrofe natural.

Caso a agência da Organização das Nações Unidas (ONU) não obtenha mais fundos, a ajuda alimentar será «completamente interrompida ainda este mês», informam os serviços de comunicação do organismo humanitário. Segundo Lola Castro, diretora regional do PAM para a África Austral, os projetos incluem hortas comunitárias, reparação de estradas, pontes e escolas, e constituem «uma fonte de esperança» para a população. «Este trabalho essencial deve continuar para se alcançar uma recuperação real e duradoura», frisa a responsável.

O PAM prevê que as próximas colheitas sejam relativamente boas. No entanto, são muitos aqueles que praticam uma agricultura de subsistência, que tiveram as suas plantações destruídas no último ano, e que não conseguiram replantar a tempo para este ano. A maioria da população afetada não come o suficiente e necessita de apoio rápido do exterior para sobreviver.

Devido à grande dependência da agricultura de pequena dimensão e à vulnerabilidade das alterações climáticas, o Programa Alimentar Mundial frisa que são precisos mais investimentos na adaptação a estas mudanças e na redução do riscos de desastres. Lola Castro afirma que «melhorar a capacidade dos moçambicanos contra secas e inundações é o centro do trabalho» do PAM. A responsável frisa que esse trabalho deve recomeçar já.