Ao contrário do que possa pensar-se, a rota marítima do Mediterrâneo não é a mais usada pelos migrantes e refugiados, segundo dados da Organização Internacional para as Migrações afinal, há mais migrantes a dirigirem-se por mar até ao Iémen, do que através do Mediterrâneo até à costa europeia. Os dados são da Organização Internacional para as Migrações (OIM), que contabilizou o ano passado 138 mil pessoas em trânsito no Golfo de Áden, contra os cerca de 110 mil que atravessaram o Mediterrâneo. apesar do Iémen estar em conflito há cinco anos, os migrantes parecem não sentir nenhum tipo de intimidação pelas políticas migratórias restritas no Golfo. Cerca de 92 por cento dos que arriscam a viagem são oriundos de três regiões rurais da Etiópia e a grande maioria não tem intenção de ficar no país árabe, mas prosseguir o seu périplo até à arábia Saudita. Porém, quando iniciam a aventura, muitos desconhecem a situação de insegurança do Iémen e ficam à mercê dos traficantes. Para chegar ao Iémen, amontoaram-nos num barco, com cerca de 280 pessoas. Não havia oxigénio e algumas pessoas suicidaram-se, atirando-se ao mar. Quando chegámos, os contrabandistas retiveram-nos um mês. agrediram-nos, torturaram-nos, e ameaçaram-nos com um pedido de resgate. a minha família enviou 900 dólares para salvar-me a vida, testemunhou à OIM um jovem migrante etíope, de 18 anos. a OIM recorda que o meio de proteção mais eficaz para os migrantes é estabelecer vias legais para a migração e destaca como exemplo o acordo alcançado o ano passado entre a Etiópia e a arábia Saudita, através do qual se criou um sistema de contratação de trabalhadores domésticos, que incluiu uma primeira requisição de 100 mil trabalhadores.
Rota migratória mais usada passa pelo Golfo de Áden Ao contrário do que possa pensar-se, a rota marítima do Mediterrâneo não é a mais usada pelos migrantes e refugiados, segundo dados da Organização Internacional para as Migrações
