Bispos insistem na necessidade da realização de um debate alargado sobre a morte assistida e reiteram o apelo ao reforço do sistema nacional de cuidados paliativos
Bispos insistem na necessidade da realização de um debate alargado sobre a morte assistida e reiteram o apelo ao reforço do sistema nacional de cuidados paliativos a Conferência Episcopal Portuguesa (CEP) manifestou esta terça-feira, 11 de fevereiro, o seu apoio a todas as iniciativas contra a despenalização da eutanásia, incluindo a realização de um referendo. O debate e a possível votação dos projetos legislativos para despenalização da morte medicamente assistida está marcado para o próximo dia 20 de fevereiro, na assembleia da República. Em comunicado distribuído à imprensa, no final da reunião do Conselho Permanente da CEP, que se realizou em Fátima, os bispos recorrem às palavras do Papa Francisco, para reiterar que a opção mais digna contra a eutanásia está nos cuidados paliativos como compromisso de proximidade, respeito e cuidado da vida humana até ao seu fim natural. Convidado a explicar o porquê do apoio ao referendo, quando a Igreja tem insistido que a vida não é referendável, o porta-voz da CEP, padre Manuel Barbosa, afirmou que os bispos continuam a defender a vida como um bem que não deve ser escrutinado, mas encaram um possível referendo como mais uma forma útil para defender a vida no seu todo. No comunicado hoje divulgado, a CEP dirige-se ainda aos profissionais de saúde, sensibilizando-os para terem sempre em atenção a dignidade humano e não cederem a atos de supressão de vida. Queridos profissionais da saúde: qualquer intervenção de diagnóstico, de prevenção, de terapêutica, de investigação, de tratamento e de reabilitação há de ter por objetivo a pessoa doente, onde o substantivo “pessoa” venha sempre antes do adjetivo “doente”. Por isso, a vossa ação tenha sempre em vista constantemente a dignidade e a vida da pessoa, sem qualquer cedência a atos como a eutanásia, o suicídio assistido ou a supressão da vida, mesmo se o estado da doença for irreversível, escreveram os bispos. Entretanto, a Federação Portuguesa pela Vida está a promover um abaixo-assinado com vista a um referendo contra a eutanásia e, na quarta-feira, 12 de fevereiro, representantes de oito confissões religiosas vão reiterar a sua oposição à despenalização da eutanásia em Portugal. Isto a poucos dias do debate agendado pela assembleia da República para análise dos projetos sobre a legalização da eutanásia, apresentados pelo BE, PS, PaN e PEV. Em 2018, a assembleia da República debateu projetos de despenalização da morte medicamente assistida do PS, BE, PaN e PEV, mas foram todos chumbados, numa votação nominal dos deputados, um a um, e em que os dois maiores partidos deram liberdade de voto. Há dois anos, o CDS-PP votou contra, assim como o PCP, o PSD dividiu-se, uma maioria no PS votou a favor, o PaN e o BE votaram a favor.