Grupos armados entram nas aldeias e aterrorizam a população, com atos que incluem mutilações e torturas. Há ainda registo de casas, plantações e lojas queimadas e de vários sequestros
Grupos armados entram nas aldeias e aterrorizam a população, com atos que incluem mutilações e torturas. Há ainda registo de casas, plantações e lojas queimadas e de vários sequestrosO alto Comissariado das Nações Unidas para os Refugiados (aCNUR) pediu ajuda à comunidade internacional, esta segunda-feira, 10 de fevereiro, para aumentar a assistência a milhares de famílias que se viram obrigadas a fugir das suas casas, devido à violência que tem alastrado na província de Cabo Delgado, no norte de Moçambique. Segundo Eduardo Burmeister, especialista de Proteção do aCNUR, estima-se em mais de 100 mil o número de deslocados, devido ao aumento dramático de ataques violentos nos últimos meses. Só este ano já se registaram 28 ofensivas, o que leva os responsáveis da agência a considerar que a situação atingiu mais um pico de fragilidade desde que se iniciaram os incidentes, em outubro de 2017. Na ilha de Matemo tive que entrevistar um refugiado que teve que fugir. a vila foi atacada. Um dos filhos ficou para trás para tentar salvar alguns bens da família. Ele foi apanhado por um membro desses grupos armados e acabou decapitado. Isso não é um relato isolado, é um relato que acontece, e acontece já há bastante tempo, testemunhou Burmeister, em declarações à ONU News. De acordo com o representante do aCNUR, na incursão às aldeias, os grupos armados aterrorizam a população local com atos que incluem mutilações e torturas, queimam casas, plantações e lojas e sequestram mulheres e crianças. Em pânico, as pessoas a fogem para a capital provincial, Pemba, acabando a viver em condições precárias, com muitas carências, sobretudo de água potável.