Organismo afeto às Nações Unidas ordenou às autoridades da ex-Birmânia que tomem medidas para impedir um genocídio contra a minoria muçulmana. Governo tem quatro meses para apresentar resultados
Organismo afeto às Nações Unidas ordenou às autoridades da ex-Birmânia que tomem medidas para impedir um genocídio contra a minoria muçulmana. Governo tem quatro meses para apresentar resultadosO Tribunal Internacional de Justiça (TIJ) ordenou esta semana ao governo de Myanmar (ex-Birmânia) que tome todas as medidas ao seu alcance para impedir um genocídio contra a minoria muçulmana rohingya. a decisão surge na sequência de uma ação interposta pela Gâmbia, que acusa aquele país de ter violado a Convenção das Nações Unidas para a prevenção e repressão do crime de genocídio. a queixa, apoiada pelos 57 membros da Organização da Cooperação Islâmica (OCI), do Canadá e Holanda, pede medidas urgentes para impedir, por exemplo, o assassinato de membros da comunidade rohingya e a submissão intencional da comunidade a condições de vida que impliquem a sua destruição física total ou parcial. a decisão do TIJ, a primeira sobre esta questão, surge dias depois de uma comissão do governo de Myanmar ter concluído que vários militares haviam cometido crimes de guerra contra os rohingya, mas que o exército não era culpado de genocídio. Recorde-se que desde agosto de 2017, mais de 700 mil rohingya estão refugiados no Bangladesh, para fugir à violência. E outros 600 mil estão confinados em campos e aldeias da ex-Birmânia, não podendo deslocar-se sem autorização. Numa declaração conjunta inédita, mais de uma centena de organizações da sociedade civil de Myanmar expressaram o seu apoio a esta denúncia apresentada ao TIJ. Segundo os ativistas, o sistema judicial interno do país não tem como prestar contas e tem permitido aos culpados continuar a cometer atos violentos em total impunidade.