A partir da receção de um infantário, Lúcia Lucas distribui palavras de ânimo às famílias que deixam e recolhem as crianças. as palavras da jovem são motivo de alento para aqueles que a escutam
a partir da receção de um infantário, Lúcia Lucas distribui palavras de ânimo às famílias que deixam e recolhem as crianças. as palavras da jovem são motivo de alento para aqueles que a escutamDe sorriso contagiante, olhar cintilante e voz doce. É assim Lúcia Lucas. Mas não é só. Depois da licenciatura em Gestão e administração de Serviços de Saúde, em Tomar, de onde é natural, Lúcia rumou em direção à capital portuguesa. Enviei currículos e consegui um estágio profissional numa clínica dentária em Lisboa, como administrativa. Fiquei lá quase cinco anos, e acabei por fazer outros serviços, que gostei muito. apesar do prazer pela atividade laboral, predominava a sensação de que algo faltava. Sentia que faltava sempre qualquer coisa. E aí começou parte de um percurso que a levaria a tornar-se religiosa na congregação Irmãs de São José de Cluny. O caminho foi longo e teve diferentes fases. Houve o contacto com um sacerdote, englobou trabalhar e viver com as irmãs em simultâneo, e contemplou um pedido de licença sem vencimento, período depois do qual Lúcia decidiu o caminho a trilhar. Houve uma adaptação muito grande a fazer, conta Lúcia, sublinhando que dessa fase faz também parte um dos melhores períodos da sua vida. Familiares e amigos aceitaram muito bem a decisão da jovem. aos 30 anos, Lúcia é freira há cerca de um ano e a felicidade pela escolha deste percurso não poderia ser mais plena. a jovem religiosa dedica-se atualmente a um centro social da congregação. Sou rececionista num centro infantil da congregação, em Braga, que além de infantário tem aTL para crianças até aos 10 anos. a nova missão da jovem deixa-lhe um rasgo de felicidade. Gosto muito, confesso. O facto de estar ali e receber e acolher os pais e as crianças Não sei porquê, mas aquilo é espetacular e eu gosto muito disse a jovem, entre risos, em declarações à Fátima Missionária. Lúcia está consciente de que a forma como recebe e se despede de pais, avós e crianças pode ter um contributo crucial no dia destas pessoas. as famílias têm as suas histórias e as suas dificuldades. Passam por lá, logo de manhã, recebem um sorriso e sentem-se um bocadinho melhor. É uma força para irem trabalhar durante o dia, e voltarem à noite para levar o filho, às vezes cansados. Chegam lá, sentam-se. Precisam mesmo de descansar um segundo. as palavras da jovem tornam-se num ponto de luz num dia tão lotado das famílias. Muitos ficam a conversar. Outros entram e saem a correr, e outros, quando podem, param para conversar e brincar um bocadinho. além de beneficiar crianças e famílias, o serviço prestado pela congregação religiosa chega também até à vizinhança. Temos como vizinho um rapaz que tem paralisia cerebral. Está em cadeira de rodas, e ajuda muito no acolhimento, cumprimentando toda a gente que entra. Brincamos todos ali, destaca Lúcia. Lúcia presta ainda acompanhamento pastoral a crianças e jovens e está em vista a preparação de um grupo de pessoas, a nível nacional, que partirá em missão para a Guiné-Bissau. Todos estes afazeres são plenos de sentido para Lúcia. Sinto que a minha vida faz e continua a fazer mais sentido aqui. Posso sentir-me mais eu e mais completa do que se fosse a fazer outra coisa qualquer. Gosto muito de estar onde estou.