Mais de metade das crianças dos países com baixos ou médios rendimentos não consegue ler ou compreender um relato simples aos 10 anos. Banco Mundial propõe reformas nos sistemas de ensino, entre elas a valorização da família e do professor
Mais de metade das crianças dos países com baixos ou médios rendimentos não consegue ler ou compreender um relato simples aos 10 anos. Banco Mundial propõe reformas nos sistemas de ensino, entre elas a valorização da família e do professorNuma escola do Malawi, os estudantes divertem-se no recreio. Mas este divertimento tem um lado amargo. Por vezes, a brincadeira dura o dia inteiro, porque o professor não aparece para dar aulas. Numa zona geográfica distante, na arménia, não são as ausências do professor que afetam os pequenos estudantes, mas o método de ensino: os alunos são avaliados pela sua capacidade de repetir textos memorizados e o espaço para a intervenção do docente ou para a criatividade é praticamente nulo. Estes são apenas dois exemplos recolhidos pelos especialistas do Banco Mundial, e que, segundo eles, revelam uma evidência: Estamos perante uma crise mundial de aprendizagem que ameaça os esforços dos países para desenvolver o capital humano, ou seja, as habilidades e os conhecimentos necessários para os trabalhos do futuro. Neste estudo, destinado a avaliar o novo conceito da pobreza de aprendizagens, os investigadores concluíram que 53 por cento das crianças dos países de baixos e médios rendimentos não conseguem ler ou compreender um texto simples aos 10 anos. a taxa é preocupante e indica que algumas das metas traçadas pelos Objetivos de Desenvolvimento Sustentável correm o risco de não serem cumpridas, incluindo o de aumentar o número de jovens e adultos com competências para aceder ao emprego, ao trabalho decente e ao empreendimento. Para travar esta crise de aprendizagem, o Banco Mundial lançou uma campanha global a que deu o nome a alfabetização tem sentido, e onde apresenta algumas ideias chave dirigidas não só aos governos, mas a toda a comunidade educativa: pais, professores, diretores, funcionários e empregadores. Em síntese, pede-se uma melhoria da prestação dos serviços aos estudantes, com o reforço das atenções no sistema de aprendizagem, e uma mudança no funcionamento do sistema educativo, como a reforma da carreira dos professores para atrair e reter os bons profissionais, das estruturas de gestão e das infraestruturas escolares. Segundo os especialistas, para potenciar o capital humano, torna-se ainda necessário dar mais atenção ao papel das famílias e das comunidades na geração da procura de educação, criando o ambiente adequado para a aprendizagem e o envolvimento social na busca de reformas educativas adequadas.