Organizações de direitos humanos e peritos internacionais consideram que as condições previstas para o financiamento não contemplam o combate às violações de direitos humanos, corrupção e impunidade enraizadas no país
Organizações de direitos humanos e peritos internacionais consideram que as condições previstas para o financiamento não contemplam o combate às violações de direitos humanos, corrupção e impunidade enraizadas no paísOs representantes de oito organizações de direitos humanos e oito peritos internacionais enviaram um pedido ao Conselho Executivo do Fundo Monetário Internacional (FMI), para que impeçam a aprovação de um empréstimo de 254 milhões de euros à Guiné Equatorial. Foi pedido um empréstimo quando a elite política permite que os abusos de direitos humanos, a corrupção e a má gestão floresçam no país há anos, justificou Sarah Saadoun, da Human Rights Watch (HRW). a Guiné Equatorial e o FMI chegaram a acordo para a implementação de um financiamento a três anos, ao abrigo de um programa de apoio técnico em curso. Em dezembro, a direção do FMI vai analisar a proposta e decidir sobre o acordo técnico para a implementação do programa neste país lusófono, que enfrenta uma recessão económica desde 2015. Mas para os ativistas, o resgate do FMI deve exigir que a Guiné Equatorial leve a cabo reformas profundas no tratamento dos recursos naturais que resultem em melhoria de direitos, responsabilização e transparência, pois o programa e as condições previstas para o empréstimo são insuficientes para abordar as profundamente enraizadas violações dos direitos humanos, corrupção e impunidade. No documento, as organizações denunciam ainda a falta de legislação essencial para prevenir a corrupção e responsabilizar os funcionários corruptos, e lembram o FMI que esta pode ser uma oportunidade para forçar à realização de reformas reais a um governo que engana os seus cidadãos há décadas. Esta deve ser uma oportunidade para promover os direitos humanos e a boa governação na Guiné Equatorial – em particular para proteger a liberdade de associação de organizações independentes da sociedade civil e demonstrar apoio aos defensores dos direitos humanos, sublinhou Marta Colomer, da amnistia Internacional da África Ocidental e Central.