Estudantes das zonas fronteiriças em situação de pobreza estão a ser captados pelos rebeldes para integrarem as suas fileiras, denuncia a presidente de uma associação que representa os professores universitários
Estudantes das zonas fronteiriças em situação de pobreza estão a ser captados pelos rebeldes para integrarem as suas fileiras, denuncia a presidente de uma associação que representa os professores universitários a Federação de associações de Professores Universitários da Venezuela (FaPUV) denunciou esta semana que elementos de grupos armados e subversivos da vizinha Colômbia estão a recrutar crianças em idade escolar para a guerrilha. Os guerrilheiros aproveitam-se da condição de pobreza dos menores para os convencerem a juntar-se aos movimentos armados. Temos jovens e crianças, especialmente nas escolas fronteiriças [com a Colômbia], que não recebem a educação que deveriam receber e os pais não têm as condições mínimas para dar-lhes alimentação e o transporte para ir à escola e que estão sendo captadas por membros das forças do Exército de Libertação Nacional e das Forças armadas Revolucionárias da Colômbia, para serem levadas para a guerrilha, denunciou a presidente da FaPUV à agência Lusa. Segundo Lourdes Ramírez Vilória, os venezuelanos vivem em pobreza extrema e um professor universitário recebe diariamente 1,50 dólares (cerca de 1. 3 euros), o que segundo a ONU é pobreza extrema. Este regime causou a pior destruição da educação, chegámos a uma situação tão grave que acabaram os programas alimentares que tínhamos para os nossos filhos e o transporte. Temos crianças que desmaiam nas escolas, jovens que não comem nas universidades, porque o regime acabou com tudo isso, acusou. Outra professora, Jacqueline Richter, adiantou que a sua formação é equivalente a um professor catedrático, na Europa, mas que o seu salário é inferior a 18 euros mensais. Manifesto-me diariamente porque no meu país há crianças a morrer de fome. Porque os anciãos hipertensos têm que pagar entre 60 e 70 dólares [50 a 60 euros] pelos medicamentos. Porque há mais de 400 pessoas presas por motivos políticos, por expressarem as suas opiniões, lamentou a docente.