Não basta somar anos à vida, importa acrescentar vida aos anos. amando e sendo amados. E isso faz toda a diferença. Porque é essa vida com vida que alimenta, depois, as memórias dos que ficam
Não basta somar anos à vida, importa acrescentar vida aos anos. amando e sendo amados. E isso faz toda a diferença. Porque é essa vida com vida que alimenta, depois, as memórias dos que ficamOs acontecimentos, hoje, mais do que nunca, vão-se sobrepondo uns aos outros, velozmente, como que em camadas; perde-se a memória das pessoas, da sua história e das suas “estórias”. E um povo sem memória é um povo sem História, sem raízes. Estamos no mês de novembro. Mês que dá espaço à memória dos que já partiram, aos santos anónimos. Um tempo para pensar – não só, mas também -, na morte, na vida, no sentido da vida. E no que queremos fazer com ela. Os avanços da ciência e, especialmente, da investigação biomédica indicam que podemos estar a caminho do “mito” da eterna juventude. O desejo, legítimo, de evitar o declínio que está associado à velhice e afastar cada vez mais a morte. Estudam-se estratégias terapêuticas que podem atrasar ou mesmo reverter o envelhecimento. Ninguém quer morrer antes de tempo, sem sabermos exatamente o que é na verdade esse “antes de tempo”. Para uns será o tempo de “desfrutar da vida”, mas até isso é relativo. Se é verdade que as pessoas hoje vivem, em média, mais anos, resta saber se a qualidade de vida acompanha este extra de idade cronológica que alcançamos.com o avanço da idade cresce a possibilidade do deterioro físico, cognitivo, limitações de locomoção, auditivas, visuais, mentais. E numa sociedade como a europeia, e a portuguesa em particular, cada vez com menos filhos, cabe a pergunta: quem vai cuidar dos nossos idosos? Um desafio para famílias, lares, hospitais, governos. Esta nova realidade coloca muitos e novos desafios sociais, económicos, antropológicos, e despertará, certamente, novas questões éticas: quem vai beneficiar com os progressos da biomedicina? até onde se deve prolongar “artificialmente”a vida? Quem vai financiar um mundo de “avançados em anos”?Finalmente, uma questão filosófica, que importa refletir. Não basta somar anos à vida, importa acrescentar vida aos anos. amando e sendo amados. E isso faz toda a diferença. Porque é essa vida com vida que alimenta, depois, as memórias dos que ficam.