Marta Duque trabalhou durante anos na Venezuela como empregada doméstica. De volta ao seu país, transformou uma garagem e até a sua pequena casa em albergue para acolher os venezuelanos que fogem da crise
Marta Duque trabalhou durante anos na Venezuela como empregada doméstica. De volta ao seu país, transformou uma garagem e até a sua pequena casa em albergue para acolher os venezuelanos que fogem da crise a história é contada pelos técnicos do alto Comissariado das Nações Unidas para os Refugiados (aCNUR). Depois de várias décadas a trabalhar como empregada doméstica em Caracas, na Venezuela, Marta Duque regressou à sua cidade natal, escondida nas serras mais orientais dos andes, na Colômbia, e perante a grande quantidade de migrantes venezuelanos que por ali passavam em trânsito, converteu a sua casa num albergue improvisado. Tudo começou quando vi as pessoas numa pequena ponte que há em frente à minha casa. Estavam a molhar-se, chovia e fazia muito frio e ocorreu-me abrir a casita onde guardávamos o carro para que pelo menos não passassem a noite na intempérie, contou a mulher, que dois anos depois deste episódio, acolhe todas as noites dezenas de mulheres, crianças e bebés. Segundo Marta Duque, agora com 56 anos, quando chegam ao seu albergue improvisado, as mulheres apresentam-se muito stressadas, assim como os filhos, que na maior parte dos casos aparecem em pranto. O que me faz continuar é vê-los sorrir quando lhes damos comida e ver que se relaxam, explicou, acrescentando que conta com uma equipa de cerca de 10 voluntários para preparar a alimentação. a cidade de Pamplona, onde vive Marta, fica a 70 quilómetros da fronteira, e os chamados caminhantes, como são conhecidos, chegam até lá após vários dias de caminho, arrastando malas e embalando crianças e bebés. a maioria tem como objetivo dirigir-se para as cidades colombianas de Medelin ou Cali, ou até para o Equador, Chile e Peru. Desde que iniciou este serviço solidário, a mulher nunca mais pode guardar o seu carro na garagem e o movimento na sua casa é constante, desde a madrugada até altas horas da noite, colocando até em risco o seu casamento de quase 30 anos. Não tem sido fácil. Não temos tido um só dia de descanso, mas não o faço por sacrifício. Faço-o com amor e convicção, porque isto mudou completamente a minha vida, confessou.