Relatora especial das Nações Unidas sobre racismo afirma que as reparações por discriminação racial, enraizada no colonialismo e na escravidão, são essenciais para o cumprimento dos direitos humanos
Relatora especial das Nações Unidas sobre racismo afirma que as reparações por discriminação racial, enraizada no colonialismo e na escravidão, são essenciais para o cumprimento dos direitos humanos a especialista independente em direitos humanos, Tendayi achiume, defendeu esta semana, perante a assembleia Geral das Nações Unidas, que os países que tiveram colónias ou escravos devem aceitar que têm obrigações e responsabilidades incluindo o pagamento de indemnizações às vítimas e aos seus descendentes. De acordo com a relatora especial da ONU, as reparações são um aspeto vital de uma ordem global que está comprometida com a dignidade de todos, independentemente etnia ou origem, mas a maior barreira às reparações por colonialismo e pela escravidão continua a ser a falta de vontade política e de coragem moral. a escravidão e o colonialismo alocavam direitos e privilégios numa base racial e com isso consolidavam as desigualdades económicas, sociais e políticas ao longo da linha racial. a abolição formal não foi suficiente para desfazer essas desigualdades raciais cristalizadas ao longo dos séculos, pois até o momento, os indivíduos que mais beneficiaram de reparações relacionadas com o fim da escravidão foram justamente os agressores e seus descendentes, ou seja, famílias que possuíam escravos, sublinhou achiume.