Especialistas fizeram uma análise às estruturas existentes face a uma possível emergência sanitária global e concluí­ram que o sistema mundial não está preparado para responder de forma eficaz a uma ameaça de grandes dimensões
Especialistas fizeram uma análise às estruturas existentes face a uma possível emergência sanitária global e concluí­ram que o sistema mundial não está preparado para responder de forma eficaz a uma ameaça de grandes dimensõesSe um surto de um novo e agressivo tipo de gripe surgisse amanhã, o mundo não teria ferramentas para evitar a devastação. Morreriam entre 50 a 80 milhões de pessoas e perdiam-se cinco por cento da economia global. Esta é a conclusão de um estudo entregue às Nações Unidas por um grupo de especialistas, que avaliou o risco de uma emergência sanitária a nível mundial, a partir da última epidemia de ébola na África subsariana. Os investigadores analisaram as infraestruturas, o dinheiro disponível para emergências, o número de profissionais capacitados para solucioná-las e os mecanismos de coordenação entre países e concluíram que não existem as estruturas suficientes para fazer frente a uma eventual pandemia letal. Seria genial dizer que estamos preparados para o pode vir, mas não é assim. Temos que fazer uma série de mudanças e vamos tentar que se levem a cabo, já que o espetro de uma urgência sanitária global se vislumbra no horizonte, explica Harlem Brundtland, ex-primeira-ministra da Noruega e supervisora do estudo. Segundo a responsável, a Europa e américa do Norte sentem-se a salvo, mas é preciso ter em conta que, num mundo interdependente, qualquer surto pode afetar, no mínimo, os países vizinhos. Creio que ainda não estamos conscientes do conectado que está este planeta através do transporte aéreo. Numa questão de horas pode ter-se levado uma qualquer doença de um lado do globo para outro, sublinha. Se queremos começar a preparar-nos já, há que instalar laboratórios em zonas de risco, preparar pessoal qualificado em epidemiologia e informar a população para que ela mesmo seja a primeira a dar o sinal de alarme, acrescenta Brundtland, salientando que por cada dólar investido em vigilância e prevenção, se poupam 10 em serviços médicos.