Embaixadora da Boa Vontade das Nações Unidas para o continente africano acredita que com financiamento para o lançamento de uma campanha à escala global seria possível acabar com esta prática
Embaixadora da Boa Vontade das Nações Unidas para o continente africano acredita que com financiamento para o lançamento de uma campanha à escala global seria possível acabar com esta práticaSe conseguíssemos arrecadar 20 milhões de dólares [18 milhões de euros] para uma campanha global sobre a mutilação genital feminina, acho que não teríamos que esperar até 2030 para erradicá-la. Pessoalmente, acredito que em cinco anos conseguiríamos erradicar esta prática, afirmou esta sexta-feira, 13 de setembro, a embaixadora da Boa Vontade das Nações Unidas para o continente africano. Segundo Jaha Dukureh, que está em Lisboa para receber o prémio do Centro Norte-Sul do Conselho da Europa relativo a 2018, se a causa conseguisse angariar esta verba, o objetivo estabelecido pela ONU para a erradicação até 2030 de uma prática que já vitimou mais de 200 milhões de mulheres, poderia ser encurtado significativamente. a viver atualmente nos Estados Unidos da américa, a ativista é fundadora da organização não-governamental Safe Hands for Girls e a “motorista” principal de um autocarro cor-de-rosa adquirido pela organização no início de 2018 para percorrer as estradas da sua terra natal, a Gâmbia. Se pudéssemos ter um autocarro rosa em cada país em que se pratica a mutilação genital feminina, tenho a certeza de que mais pessoas saberiam sobre os seus efeitos nocivos e as coisas poderiam mudar mais rapidamente. Um autocarro por país seria suficiente. Não precisamos de muitos, sublinhou, em declarações à agência Lusa. Portugal registou 63 casos de mutilação genital feminina em 2018, mas até meados de agosto deste ano o número de registos ascendia já a 54 casos, de acordo com os dados do projeto Práticas Saudáveis, de prevenção e combate ao fenómeno, centrado nas estruturas de saúde nacionais.