Economista considera que a abordagem exclusivamente militarista do governo moçambicano não é suficiente para controlar a onda de violência na região norte do país
Economista considera que a abordagem exclusivamente militarista do governo moçambicano não é suficiente para controlar a onda de violência na região norte do país O economista e investigador Pedro Vicente criticou esta semana a abordagem exclusivamente militarista do governo moçambicano para tentar controlar a onda de violência em Cabo Delgado, defendendo, em contrapartida, um maior envolvimento das comunidades e organizações muçulmanas. É preciso envolver as comunidades, é preciso chegar às comunidades com informação e as pessoas têm de ver isto como uma prioridade nacional. É preciso dizer com clareza: chegar às pessoas em Cabo Delgado é uma prioridade para Moçambique, afirmou o professor de Economia e diretor científico da NOVaFRICa, um centro de investigação para o desenvolvimento da prosperidade em África pertencente à Faculdade de Economia da Universidade Nova de Lisboa. De acordo com Pedro Vicente, citado pela agência Lusa, o governo de Moçambique está a apostar fortemente numa estratégia militarista e puramente securitária que pode não ter os resultados esperados e desejados. Há evidências de que chegar à população com informação, chegar aos muçulmanos com sensibilização tem um efeito claro [na redução dos incidentes violentos]. Obviamente que é preciso militares porque estão a matar pessoas, mas isto não pode ser a única coisa, salientou, lamentando que tenha sido necessário um ano para aprovar uma ação de sensibilização religiosa contra a violência que os investigadores da NOVaFRIC a promoveram em parceria com Conselho Islâmico de Moçambique. a onda de violência em Cabo Delgado, que começou em 2017, já provocou a morte de cerca de 200 pessoas, entre residentes, supostos agressores e elementos das forças de segurança, segundo dados recolhidos pela Lusa. Para o investigador, o problema tem potencial para criar uma zona de instabilidade para as próximas dezenas de anos e transformar-se num problema religioso. O Governo vem dizer que não há nenhum problema religioso. Se calhar não havia, mas pode vir a haver, avisou Pedro Vicente, acrescentando que a doença se espalha facilmente junto de jovens que não têm nada para fazer numa das províncias mais pobres e com maior taxa de desemprego do país. É preciso uma ação de prevenção séria de conflitos, é preciso chegar a esses jovens e falar com eles, não é mandar polícia para cima deles, recomendou o especialista.