Bispos comprometem-se a criar instâncias de prevenção e acompanhamento de eventuais casos de abusos sexuais por parte elementos ligados à Igreja Católica
Bispos comprometem-se a criar instâncias de prevenção e acompanhamento de eventuais casos de abusos sexuais por parte elementos ligados à Igreja Católica a medida gerou alguma controvérsia, quando alguns bispos revelaram não ter intenção de criar comissões de proteção de menores nas suas dioceses, mas depois de quase uma semana reunidos em assembleia Plenária da Conferência Episcopal Portuguesa (CEP), os prelados comprometeram-se de forma unânime a constituir as referidas comissões, seguindo assim as orientações emanadas pelo Papa Francisco. a assembleia refletiu sobre as orientações vindas do encontro sobre a proteção de menores na Igreja, que decorreu em fevereiro no Vaticano, destacando os pontos principais do discurso conclusivo do Papa Francisco. a resposta eclesial deve ter as seguintes dimensões: a tutela das crianças; a seriedade impecável; uma verdadeira purificação; a formação; o reforço e verificação das diretrizes das Conferências Episcopais; o acompanhamento das pessoas abusadas; a atenção pastoral ao fenómeno crescente dos abusos no mundo digital e no turismo sexual, refere o comunicado final do encontro Neste sentido, pode ler-se no documento, os bispos comprometem-se a criar instâncias de prevenção e acompanhamento em ordem à proteção de menores nas suas dioceses e a atualizar as diretrizes aprovadas pela Conferência Episcopal em 2012, tendo em conta as orientações da Santa Sé. Em declarações aos jornalistas, o presidente da CEP, Manuel Clemente, desvalorizou as aparentes divisões surgidas antes da assembleia Plenária – em que pelo menos quatro bispos (Porto, Lamego, Santarém e Funchal) assumiram publicamente não ter a intenção de criar as comissões – assegurando que a decisão foi unânime e fácil, pois era uma indicação precisa da Santa Sé. Faremos tudo o que for necessário, tendo em conta que o valor maior é a proteção da pessoa abusada, e a recuperação da pessoa que prevaricou, adiantou o cardeal-patriarca de Lisboa, garantindo que o objetivo das comissões não será apenas o acompanhamento de casos de abuso sexual, mas sobretudo a prevenção. a prevenção é uma prioridade e tem que ser uma atitude geral, disse. Os bispos aprovaram ainda uma carta pastoral que reflete Um olhar sobre Portugal e a Europa à luz da doutrina social da Igreja, um documento que pretende ser um contributo para ajudar os católicos a decidirem nas próximas eleições europeias e legislativas, tendo em conta as orientações evangélicas na resolução dos problemas. Confrontado com o aumento dos movimentos nacionalistas na Europa, Manuel Clemente admitiu estar preocupado com a questão, sublinhando que os nacionalismos estão por aí, outra vez, por essa Europa fora, geralmente mal explicados, que fazem da história um pretexto para justificar opções presentes. Por isso, pediu uma sociedade com lugar para todos, ao realçar que o atual projecto comunitário permitiu oito décadas de paz, o que representa um valor demasiado alto para pormos em causa.