Governo justifica a medida com uma alegada «interferência deliberada» nos assuntos internos do país. Nicholas Haysom tinha sido nomeado para o cargo em setembro do ano passado

Governo justifica a medida com uma alegada «interferência deliberada» nos assuntos internos do país. Nicholas Haysom tinha sido nomeado para o cargo em setembro do ano passado
O representante especial do secretário-geral da ONU para a Somália, Nicholas Haysom, não é mais bem-vindo à Somália e não pode mais trabalhar no país, anunciou esta semana o Ministério dos Negócios Estrangeiros somali em comunicado, onde acusa o diplomata de interferência deliberada nos assuntos internos do país. a decisão surge dias depois de Haysom ter expressado a sua preocupação relativa aos serviços de segurança da Somália na recente escalada de violência que provocou várias mortes, e de ter exigido explicações sobre a detenção de Mukhtar Robow, um dos fundadores do al-Shabab, ex-porta-voz daquele grupo extremista islâmico até 2012 e candidato presidencial às eleições do também chamado estado do sudoeste. No pedido de esclarecimento enviado ao governo, o representante especial na Somália perguntou ainda se as forças apoiadas pela ONU estariam envolvidas ou não na morte de pelo menos 11 pessoas, incluindo militares e manifestantes durante os protestos que se seguiram à detenção de Robow na capital regional de Baidoa. a Somália está em estado de guerra e caos desde 1991, quando o ditador Mohamed Siad Barre foi deposto, deixando o país sem um governo efetivo e nas mãos de milícias islâmicas radicais, senhores da guerra e gangues criminosos armados.