as novas tecnologias estão provocar uma verdadeira revolução até entre os mais necessitados, ao possibilitarem o acesso a uma série de serviços, que de outra forma seriam difíceis de aceder
as novas tecnologias estão provocar uma verdadeira revolução até entre os mais necessitados, ao possibilitarem o acesso a uma série de serviços, que de outra forma seriam difíceis de acederas aplicações informáticas, muito usadas nos dispositivos móveis, estão a ganhar cada vez mais adeptos nos países desenvolvidos, por permitirem o acesso a jogos, a serviços ou a novas redes sociais, mas nos países mais pobres e nas zonas mais remotas do planeta, têm-se revelado fundamentais para combater o isolamento, solucionar problemas sociais e ajudar a alcançar os objetivos globais de desenvolvimento. Há aplicações (popularmente conhecidas por apps) que estão a mudar a vida de milhões de agricultores, pescadores e estudantes. É sabido que o recurso ao crédito não está acessível à maioria dos pobres. E que os pequenos produtores nem sempre têm meios para comprar as sementes e os fertilizantes, quando chega a época do plantio. Para minimizar estes obstáculos, foi criada a aplicação myagro, que já está a ser usada por cerca de 30 mil agricultores, no Senegal e no Mali. No essencial, o programa permite aos utilizadores a constituição de uma poupança gradual, através do telemóvel, que depois será usada para comprar sementes, fertilizantes e obter formação. através desta forma de aforro, que usa o mesmo sistema de um cartão pré-pago, e dos conselhos técnicos disponibilizados, os criadores da aplicação esperam conseguir fazer aumentar os rendimentos dos agricultores inscritos para mais de 1,2 euros por dia, até 2025, e assim ajudá-los a ultrapassar o limiar da pobreza. ainda no setor agrícola, mas neste caso para combater a desorganização e fragmentação das cadeias de valor, foi criada a aplicação Esoko, que está disponível no Quénia, Tanzânia e Gana. a plataforma procura solucionar as assimetrias de informação, ao nível de preços, equipamentos e assistência técnica. O projeto começou por fornecer preços aos agricultores através de mensagens SMS, mas rapidamente os promotores perceberam que estes dados eram insuficientes e passaram a disponibilizar também alertas meteorológicos, conselhos para melhorar as colheitas, ou a possibilidade de contacto entre compradores e vendedores. a aplicação, que conta já com mais de 500 mil registos, dá ainda acesso a vários serviços fundamentais para o setor, como os financeiros ou os das companhias de equipamentos agrícolas. Os responsáveis pelo programa estimam que a plataforma contribuiu para uma melhoria de rendimentos entre 10 a 30 por cento, dependendo do cultivo ou da zona. Na Indonésia, onde há mais de 17 mil ilhas, e a indústria pesqueira é dominada por pequenos pescadores, uma das principais operadoras de telecomunicações do país lançou o ano passado a M-fish, uma aplicação destinada a melhorar a produtividade e a segurança dos marítimos. O programa disponibiliza informação sobre o estado do tempo, as marés, o vento, a situação do plâncton e dos bancos de peixes, e incorpora tecnologia GPS para localização ou envio de um pedido de socorro em caso de emergência. a empresa responsável pela aplicação assegura que a utilização deste software reduz o tempo necessário para pescar em duas ou três horas, diminuindo significativamente os gastos em combustível.com dois milhões de utilizadores, a aplicação Eneza Education, que se propõe tornar a educação mais acessível aos estudantes das zonas rurais de África, já está presente em quatro países: Quénia, Tanzânia, Gana e Zimbabwe. Por cerca de 10 cêntimos de dólar semanais, os alunos podem aceder aos cursos disponibilizados quase exclusivamente através de mensagens SMS. Os conteúdos estão alinhados com os planos nacionais de estudo e, depois de assimilarem a matéria, os estudantes recebem as perguntas numa mensagem de texto e comentários às suas respostas. Segundo os criadores do programa, em declarações ao jornal El País, os utilizadores, com idades entre os 10 e os 18 anos, chegam a casa e estudam na plataforma entre 20 minutos e uma hora por dia. a empresa também desenvolveu uma versão para a internet, mas o acesso maioritário é feito através de mensagens SMS, pois em muitas das zonas rurais não há acesso à rede de dados móveis.