Produzir mais não é suficiente para erradicar a fome e a desnutrição, nem para enfrentar os desafios demográficos e ambientais do futuro. é fundamental apostar em sistemas mais equitativos e sustentáveis
Produzir mais não é suficiente para erradicar a fome e a desnutrição, nem para enfrentar os desafios demográficos e ambientais do futuro. é fundamental apostar em sistemas mais equitativos e sustentáveis a agricultura intensiva excedeu os seus limites; continuar a produzir como até agora não é uma opção, afirmou esta semana o diretor-geral da Organização das Nações Unidas para a alimentação e agricultura (FaO), insistindo na necessidade de uma mudança radical nos sistemas alimentares. Segundo José Graziano Silva, a produção alimentar tem aumentado nas últimas décadas, mas com um elevado custo para o meio ambiente, gerando desflorestação, escassez de água, esgotamento dos solos e altos níveis de emissões de gases de efeito estufa. Para o responsável, o que tem sido uma máxima desde os anos 60, com os avanços da Revolução Verde (alcançar altos rendimentos através de fertilizantes, pesticidas e irrigação) choca com a limitação de recursos naturais. E produzir mais não é suficiente para erradicar a fome e a desnutrição, nem para enfrentar os desafios demográficos e ambientais dos próximos anos. a partir de agora, alimentar a população deve estar de mão dada com o cuidado com o planeta, afirmou Graziano da Silva, defendendo que o foco ter que ser posto por um lado na eficiência e, por outro, em sistemas mais equitativos e sustentáveis. O mesmo advogou Tim Benton, especialista em segurança alimentar. O nosso sistema alimentar atual é insustentável e cada vez mais frágil devido às mudanças ambientais e geopolíticas. Por isso, a transição para um modelo sustentável deve incluir desde modelos de produção e distribuição até os hábitos de consumo, que passa por tomar medidas incómodas para os consumidores, como pagar pelo preço real dos alimentos ou reduzir o consumo de carne, sublinhou o investigador.