Milhares de refugiados estão a ser vítimas de agressões e perseguições na fronteira entre a Sérvia e a Hungria, de acordo com a amnistia Internacional, que acusa o governo húngaro de violação sistemática dos direitos humanos
Milhares de refugiados estão a ser vítimas de agressões e perseguições na fronteira entre a Sérvia e a Hungria, de acordo com a amnistia Internacional, que acusa o governo húngaro de violação sistemática dos direitos humanos a amnistia Internacional (aI) divulgou esta terça-feira, 27 de setembro, um comunicado onde repudia o programa posto em marcha pelo Presidente da Hungria, Viktor Orbán, para manter os imigrantes fora do país. Segundo a organização, os milhares de refugiados que se encontram na fronteira entre a Sérvia e a Hungria, são muitas vezes perseguidos com cães, agredidos pelas autoridades e devolvidos para território sérvio. Em menos de um ano, mais de 3. 000 refugiados terão sido detidos de forma irregular junto à fronteira com a Sérvia. Orbán aprovou uma lei que permite as devoluções imediatas para a Sérvia, sempre que os imigrantes se encontrem a menos de oito quilómetros da fronteira. Mas a polícia e os militares que vigiam a zona fronteiriça não fazem caso da legislação e perseguem os migrantes para lá da distância estipulada. De acordo com os testemunhos recolhidos pela aI, usam cães de caça nas perseguições, e quando alcançam os imigrantes espancam-nos e devolvem-nos à Sérvia, independentemente da gravidade dos seus ferimentos. Somos tratados como animais, contou um dos refugiados aos técnicos da organização de defesa dos direitos humanos. Para poderem entrar na Hungria, a partir da Sérvia, os imigrantes têm que passar por zonas de trânsito, onde podem pedir asilo.como só são admitidas 30 pessoas por dia, e a maior parte dos pedidos são recusados, os migrantes tentam cruzar a fronteira de forma ilegal, o que normalmente resulta em fracasso. Perante este cenário, a aI exige às autoridades da União Europeia que atuem com firmeza contra os abusos que a Hungria está a infligir sobre os requerentes de asilo que chegam à sua fronteira para fugir do terror da guerra e acabam por encontrar mais violência. No próximo domingo, 2 de outubro, a população húngara será chamada a votar em referendo se aceita prosseguir com as cotas de recolocação impostas pela União Europeia. Entretanto, para manter os imigrantes fora do seu território, Orbán mandou construir uma vedação ao longo da fronteira com a Sérvia e a Croácia.