Seguindo o exemplo de Maria, os cristãos não devem julgar nem condenar os casais em situação de rutura, mas ajudá-los a «encontrar caminhos novos», de «misericórdia e renovação», alerta José Ornelas Carvalho
Seguindo o exemplo de Maria, os cristãos não devem julgar nem condenar os casais em situação de rutura, mas ajudá-los a «encontrar caminhos novos», de «misericórdia e renovação», alerta José Ornelas Carvalho Mais acolhimento, menos julgamento e mais fraternidade, solidariedade e amor. Este é o caminho que a Igreja está a percorrer em relação aos casais em situação de rutura, por recomendação do Papa Francisco, e o trilho que deverá ser seguido por todos os cristãos, que muitas vezes se preocupam mais com as festas e com os beijos, do que propriamente com o amor ao próximo, alertou esta terça-feira, 13 de setembro, o bispo de Setúbal. Na homilia de encerramento das celebrações da peregrinação aniversária de setembro ao Santuário de Fátima, José Ornelas Carvalho inspirou-se na passagem do Evangelho – conhecida por Bodas de Caná – para entrar no quadro simbólico de uma festa de matrimónio, associá-lo ao exemplo de Maria, e pedir mais acolhimento, solidariedade e encorajamento à vida e à ternura nas famílias, sobretudo quando estas sentem o peso e as dificuldades das crises. Maria convida-nos a olhar para as pessoas e para os casais nestas situações dramáticas de rutura, de violência, de manipulação, não em postura de julgamento, para condenar e estigmatizar, mas em atitude fraterna para compreender, colocar-se ao lado e ajudar a encontrar caminhos novos de vida, de misericórdia e renovação, para o casal, com especial atenção e carinho, para com os filhos, disse o prelado. Para o bispo de Setúbal, tal como o Papa vem recomendando no seguimento da reflexão do último sínodo, é importante fazer sentir às pessoas que chegam à decisão da separação e do divórcio que fazem parte da Igreja, que “não estão excomungadas”nem são tratadas como tais, porque sempre integram a comunhão eclesial. José Ornelas Carvalho, realçou, no entanto, que o olhar de carinho e encorajamento lançado por Maria, não é lançado apenas sobre as famílias domésticas, mas sobre toda a Igreja. Também para esta nossa Igreja, Maria olha com carinho preocupado, para nós que a constituímos. Para uma Igreja que tantas vezes organiza solenes celebrações, ritualmente perfeitas, mas onde falta o vinho da cordialidade, da atenção aos que sofrem a fome, a negligência e o abandono. O prelado reconhece que seguir a proposta de Deus e de Maria não é uma receita rápida, nem uma aplicação simples para telemóvel. Mas é um caminho possível, pois tem a ver com o coração, com a atitude de vida, a começar pelo modo de olhar e terminando na conjugação do verbo amar. É um segredo que só se aprende fazendo.