Depois de décadas de luta pela posse da terra, a comunidade macuxi de Maturuca, no Brasil, procura agora dar mais um passo no caminho da autossustentabilidade, através da formação e capacitação técnica das camadas mais jovens
Depois de décadas de luta pela posse da terra, a comunidade macuxi de Maturuca, no Brasil, procura agora dar mais um passo no caminho da autossustentabilidade, através da formação e capacitação técnica das camadas mais jovensDurante anos, lutaram contra a presença de fazendeiros e garimpeiros na terra que consideravam sua, e contra o aumento do consumo de bebidas alcoólicas. a luta pela posse da terra foi vencida, com a homologação da área indígena Raposa Serra do Sol, no estado de Roraima, no norte do Brasil. O combate ao alcoolismo também já deu os seus frutos, mas a comunidade sentiu que era preciso fazer mais para fortalecer a autonomia económica de uma zona isolada e exposta às alterações climáticas, e contrariar a tentação dos jovens de procurarem novas formas de vida nas cidades mais próximas. Foi neste contexto que nasceu o projeto Terra Mãe, desenvolvido pelos Missionários da Consolata, e assumido pela comunidade macuxi, residente na região de Maturuca. O objetivo é criar uma escola de formação em agricultura biológica, para ajudar e incentivar os jovens a promoverem culturas mais produtivas e amigas do ambiente. E estabelecer parcerias que permitam o desenvolvimento tecnológico dos sistemas de irrigação. através deste plano, que ainda se encontra na fase de recolha de fundos, os macuxi pretendem reforçar a produção agrícola durante o verão, apostando essencialmente no plantio de melancia, macaxeira e outros frutos, produtos que, por tradição e por falta de meios, têm sido produzidos apenas na época de chuvas. Habituada a gerir com sucesso outros projetos comunitários, como foi o caso do programa Uma vaca para o índio, que começou com a distribuição de umas dezenas de vacas e já atingiu as 42 mil cabeças de gado, a comunidade de Maturuca perspetiva agora um novo incentivo à diversificação da produção, aumento dos rendimentos das famílias, fortalecimento da união comunitária e, consequentemente, uma melhoria da qualidade de vida da população indígena. a execução do projeto conta com o apoio do Conselho Indígena de Roraima (CIR), da diocese de Boavista e de dois especialistas em agricultura biológica.