Wojtyla tinha 19 anos quando começou a Segunda Guerra Mundial e a exposição mostra fotos do jovem que teve de trocar os estudos de literatura na Universidade Jaguelónica pelo trabalho braçal numa fábrica para subsistir
Wojtyla tinha 19 anos quando começou a Segunda Guerra Mundial e a exposição mostra fotos do jovem que teve de trocar os estudos de literatura na Universidade Jaguelónica pelo trabalho braçal numa fábrica para subsistirUma estante com livros, velhas porcelanas e um bordado feito pela mãe, Emilia. São poucas as peças originais que decoram a sala reconstituída da família de Karol Wojtyla. Mas o museu fica no prédio de Wadowice onde o Papa polaco nasceu, e a antiga casa, no primeiro andar, foi recheada com móveis do início do século XX. Há muitos visitantes todos os dias, garante a guia. Vêm das Filipinas, de Itália, de Espanha, dos Estados Unidos, da Coreia do Sul. Quem visita Cracóvia e é um católico devoto não deixa de vir aqui. Em Wadowice, neste museu que junta as memórias com as modernas tecnologias, celebra-se o filho da terra mas também o polaco que inspirou o Solidariedade de Lech Walesa na luta pela democracia e ajudou ao fim do comunismo na Europa de Leste. Wojtyla tinha 19 anos quando começou a Segunda Guerra Mundial e a exposição mostra fotos do jovem que teve de trocar os estudos de literatura na Universidade Jaguelónica pelo trabalho braçal numa fábrica para subsistir. O futuro Papa sobreviveu à ocupação nazi (e foi nesse tempo que descobriu a vocação sacerdotal), como depois teve de lidar com um regime comunista imposto pelos soviéticos e que nunca foi popular entre os polacos. Wojtyla, como cardeal de Cracóvia, era já uma dor de cabeça para o regime pró-Moscovo, como Papa tornou-se a promessa de uma mudança. João Paulo II morreu em 2005. Conheceu o pós-Guerra Fria e viu a Polónia entrar para a NaTO em 1999 e para a União Europeia em 2004. Mas uma das salas do museu relembra que podia não ter sido assim a história. No chão, protegida por um vidro, está a pistola que o turco ali agca usou contra João Paulo II em 1981 em Roma. Wojtyla acabou por sobreviver. Ele, que já era um fiel mariano, agradeceu a Nossa Senhora de Fátima a salvação, já que o atentado foi a 13 de maio. E uma estátua de Fátima ali está na sala.