Os jovens portugueses não podem ter um futuro risonho se a atual realidade se mantiver. Há um terço destes que não estudam nem trabalham. Foi o ministro da Educação, em declarações recentes, que pôs o dedo na ferida
Os jovens portugueses não podem ter um futuro risonho se a atual realidade se mantiver. Há um terço destes que não estudam nem trabalham. Foi o ministro da Educação, em declarações recentes, que pôs o dedo na feridaTiago Brandão Rodrigues, atual ministro da Educação, referiu durante as Jornadas Pedagógicas Nacionais, que decorreram na Escola Técnica Profissional, na Moita, a necessidade de apostar na formação e qualificação dos portugueses. O país não pode ter um terço dos jovens que não estuda nem está a trabalhar. Temos que recuperar o tempo perdido com políticas de formação. Não queremos estar neste ranking em que um terço dos jovens não estuda nem trabalha, não podemos conceber esta situação. afirmou ainda que a formação e a educação promovem e são os principais sustentos do desenvolvimento económico. O crescimento futuro depende do capital humano. Quem não tem petróleo, o seu petróleo são as pessoas e Portugal tem que conceber políticas eficazes em matéria de competências, para fornecer ao mercado profissionais competentes, afirmou. O ministro da Educação defendeu que o poder político deve investir na educação e que uma qualificação baixa inibe o crescimento. Efetivamente as afirmações correspondem ao verdadeiro cerne da questão.
O problema do ensino público em Portugal já vem de longe, remonta à década de 70 do século passado, ocasião em que foram abolidas as escolas comerciais e industriais, dando lugar a um novo projecto de ensino em Portugal. a partir daí o ensino nas escolas voltou costas ao mercado de trabalho, a preocupação passou a ser a carreira do aluno de molde a atingir o final do ensino elementar e respectivo acesso à universidade, ou outra escola superior.
Sejamos claros: a partir do momento em que se eliminaram as escolas comerciais e industriais existentes deixou de existir a preocupação, por parte dos responsáveis, de equacionar as matérias de estudo com o mercado de trabalho que mais tarde haveria de receber os formandos. Erro imperdoável que atingiu centenas de milhares de jovens que ou não conseguiram entrar no mercado de trabalho, ou tiveram que se adaptar a qualquer profissão.
Mas Tiago Brandão foi mais longe e afirmou que o ensino profissional já não é visto como uma segunda liga no ensino, defendendo a sua importância. O ministro confessou assim que o ensino profissional em Portugal, mesmo nos últimos anos, foi sempre encarado como um ensino de segunda, o que não deixa de ser um tremendo erro de quem nos governa.
Ensinar uma profissão é tão importante como um outro percurso escolar. apesar de difícil, conseguimos desbloquear os processos das escolas profissionais ainda antes do arranque do próximo ano letivo, frisou. E para justificar esta posição referiu queainda temos 55% da população que não completou o ensino secundário e cerca de 45% não domina as novas competências digitais. De facto a irresponsabilidade dos sucessivos governos, especialmente dos responsáveis do ministério da Educação, foi de bradar aos céus e são os responsáveis pelo mau serviço que prestaram aos jovens portugueses durante várias décadas.
Mas o que o ministro não disse é qual o motivo por que há um terço dos jovens portugueses que não estudam nem trabalham. E isso não é de somemos importância. Será que as políticas de ensino, e simultaneamente do trabalho, têm sido corretas? a resposta terá que ser negativa, pois de contrário não estaríamos na situação delicada em que nos encontramos.
Se Tiago Brandão entende que a formação e a educação são os principais sustentos do desenvolvimento económico, então será importante que as políticas de educação mudem e se adaptem a essa realidade de uma vez por todas. Se tal não vier a suceder, então foi mais uma voz que ecoou sem sentido. Temos de recuperar o tempo perdido com a formação, disse o ministro. Este será, porventura, um dos princípios para dar forma a uma nova visão realista do ensino em Portugal. O resto cabe aos interessados, assim como aos responsáveis governamentais do sector do trabalho do país.