Pela segunda vez, a Jornada Mundial da Juventude vai ser na Polónia, um bastião do catolicismo. Na Missa do último dia, a 31 de julho, são esperados dois milhões de participantes. Para o Papa argentino será a primeira visita ao país de Karol Wojtyla
Pela segunda vez, a Jornada Mundial da Juventude vai ser na Polónia, um bastião do catolicismo. Na Missa do último dia, a 31 de julho, são esperados dois milhões de participantes. Para o Papa argentino será a primeira visita ao país de Karol WojtylaO padre Bogdan Kordula mostra cheio de entusiasmo um gráfico ilustrativo da forma como o imenso terreno, ainda em preparação, vai acolher no fim de semana de 30 e 31 de julho a vigília campal e a Missa final da Jornada Mundial da Juventude. O altar vai ter 11 metros de altura e será visível a dois quilómetros, diz este clérigo que faz parte da equipa que organiza a visita do Papa Francisco a Cracóvia, este ano palco da Jornada, um evento criado em 1986 por João Paulo II, ele próprio polaco, e que pela segunda vez ocorre no país. Esperamos dois milhões de pessoas para a última Missa e por isso este terreno vastíssimo foi escolhido, sublinha o padre Kordula, habituado a gerir ou não fosse ele também o presidente da Cáritas de Cracóvia, a grande cidade do sul da Polónia e antiga capital. São 300 hectares e estamos mesmo na fronteira entre os municípios de Cracóvia e de Wieliczka, acrescenta. É por ser enorme que o terreno foi escolhido para os dias em que se espera mais afluência, apesar de antes muitos dos eventos decorrerem no parque Blonia, que fica a uma distância que pode ser percorrida a pé desde o centro da cidade. Numa rotunda mesmo junto ao edifício onde Francisco talvez passe a última noite na Polónia (temos tudo preparado, garante o padre Kordula) um grupo de jovens entoa cânticos, indiferente ao cair da noite. Serve para relembrar que a Polónia é uma nação fervorosamente católica onde em várias dioceses, ao domingo, há igrejas onde nem cabem todos os que querem assistir à Missa, como diz o cardeal Stanislaw Dziwisz, num encontro com jornalistas no palácio do arcebispo de Cracóvia. Ele que foi secretário pessoal de João Paulo II, aguarda agora Francisco, que deverá falar ao povo de Cracóvia da mesma janela onde o Papa polaco costumava fazer, aqui mesmo no palácio, sempre num tom de grande intimidade ou não fosse Karol Wojtyla um filho da cidade, mesmo tendo nascido em Wadowice. O programa definitivo da Jornada, este ano sob o signo da Misericórdia e consagrada a Santo João Paulo II e a Santa Faustina, começa a ser divulgado: assim, cerimónia inaugural na terça-feira em Blonia com Missa do cardeal Dziwisz; chegada do Papa na quarta-feira, dia 27, com encontro com o Presidente polaco andrzej Duda e depois, com o cardeal de Cracóvia, ida ao palácio do arcebispo para o primeiro contato com os peregrinos; quinta-feira visita Papal ao santuário de Czestochowa, onde uma Missa assinalará os 1. 050 anos do batismo da Polónia; sexta-feira visita de Francisco a auschwitz e Via Crucis no parque Blonia; sábado ida do Papa ao Santuário da Divina Misericórdia, com Missa em memória de Santa Faustina, e noite de vigília no denominado Campus Misericordiae; domingo, 31, Missa campal de Francisco e fim da Jornada, com o Papa a partir.com milhares de peregrinos a virem de fora, com muitos portugueses, espanhóis e italianos e até um grupo de cristãos iraquianos, as autoridades polacas decidiram fazer o controlo das fronteiras para garantir segurança máxima. Sobre o tema, o governador da região de Malopolska tem um discurso tranqulizador. Sobre segurança, falamos o menos possível e fazemos o máximo possível. Queremos dizer aos jovens que se devem sentir bem aqui, que podem vir estar com o Papa. À nossa maneira, discreta, vamos garantir que nada de mal acontece, afirma Josef Pilch. Também o cardeal apela à participação: Venham. a Polónia é um país seguro, hospitaleiro e amigável. Cracóvia é uma cidade com um milhão de habitantes, muito turística, mas está a ser posta à prova com esta organização. O alojamento é um desafio, mesmo que haja famílias polacas a aceitar peregrinos na sua casa, e a própria logística de transportes terá de ser reforçada. até a visita a auschwitz na última semana de julho terá regras diferentes pois, como explicou o guia Lucas Lipinsky, esperam-se 300 mil pessoas nesses dias, quando num ano inteiro acolhemos cerca de 1,7 milhões. Por isso, só poderão visitar o exterior dos urbanística. Francisco será o terceiro Papa a deslocar-se ao famoso campo de concentração nazi. Para uma Polónia criticada nos últimos meses pela União Europeia pela recusa de acolher refugiados e pelos tiques autoritários do governo de direita, a Jornada é uma bela oportunidade para melhorar a imagem. Mas para os crentes é sobretudo um momento especial, num país em que houve largos períodos da história em que a Igreja Católica foi o bastião da nação, como durante o século XIX, quando o Estado desapareceu, durante a ocupação pela alemanha nazi de 1939-1945 ou nos anos do comunismo, em que a resistência cultural era patrocinada pelos bispos, sem olhar se era gente que ia à Missa ao domingo ou não. Sobre se esta vinda do Papa reforçará a popularidade da Igreja, cuja hierarquia apoia o atual governo, o sociólogo Janusz Mucha tem uma opinião dividida: sim, mas a Igreja polaca não segue totalmente os ensinamentos deste Papa, seja no que diz respeito aos refugiados seja na modéstia, nota o professor na Universidade de Tecnologia de Cracóvia, entusiasta do KOD (Comités de Defesa da Democracia) que têm organizado protestos contra as políticas do governo liderado por Beata Szydlo, primeira-ministra que tem um filho a estudar para padre. alheia às leituras políticas da visita Papal está uma estudante de Medicina na Universidade Jaguelónica. Está a folhear um livro na Ksiergania akademicka, uma livraria perto da praça do mercado, e se prefere não dizer o nome não deixa porém de afirmar que a visita de um Papa é sempre algo único. E este Papa argentino é inspirador, mesmo que tenha muitos amigos católicos que digam que nem sempre compreendem a sua mensagem. Bem, vão poder agora ouvir Jorge Mário Bergoglio de viva voz durante uns dias.