aos 81 anos, Renato Saudeli, missionário da Consolata, continua cheio de energia para ensinar aquilo que mais gosta: pintura e música. é isso que faz no seu atelier, em adis abeba, na Etiópia. através da arte, tem conseguido resgatar os jvens das ruas
aos 81 anos, Renato Saudeli, missionário da Consolata, continua cheio de energia para ensinar aquilo que mais gosta: pintura e música. é isso que faz no seu atelier, em adis abeba, na Etiópia. através da arte, tem conseguido resgatar os jvens das ruasO cheiro das tintas mistura-se com o som da música clássica, quando se entra no pequeno atelier de pintura da Casa Regional dos Missionários da Consolata, em adis abeba, capital da Etiópia. Sentado na sua cadeira de rodas, um jovem etíope, quase não desvia o olhar do quadro que vai preenchendo de cores vivas, num misto de criatividade e rigor. É um dos nossos melhores alunos, avisa Renato Saudeli, o padre responsável pela gestão do espaço e pela formação dos 12 rapazes que aceitaram o seu desafio, e que neste momento aprendem as técnicas das artes plásticas. Àquela hora, apenas dois jovens circulam pela oficina povoada de telas, quadros inacabados, bisnagas de tinta e pincéis. Um, estava abandonado à sua sorte, nas ruas de adis abeba, depois de se ter deixado levar pelo vício da droga. O outro acabou de acertar contas com a justiça, pela segunda vez, com penas de prisão. ambos estão a caminho de uma vida nova, orientados pelo missionário italiano. Se os ensinamentos do mestre produzirem os efeitos desejados, quem sabe, possam engrossar a lista dos casos de sucesso que já passaram por este atelier. Pelo menos cinco alunos já foram premiados como os melhores na Universidade de Belas artes, outros entraram no conservatório musical, e alguns até criaram grupos musicais, que são bastante requisitados, informa, orgulhoso, Renato Saudeli. a trabalhar na Etiópia há 33 anos, o missionário estabeleceu um acordo com os estudantes. a missão disponibiliza-lhes todo o material que precisam para aprender e trabalhar, e entrega-lhes metade do valor da obra, logo que a terminem. a importância restante, alcançada com a venda dos quadros, serve para adquirir mais material e criar bolsas de estudo destinadas a apoiar outros jovens nos custos com a educação. Sempre gostei de música e de pintura e é aqui que me sinto bem, a ajudar estes rapazes e raparigas, confessa o sacerdote, que antes de ser destinado ao continente africano esteve mais de duas décadas nos Estados Unidos da américa, onde ajudou a fundar um museu missionário e a criar presépios tridimensionais, para fortalecer o diálogo ecuménico.