O Governo admitiu, em reunião com o sindicato dos trabalhadores da Caixa Geral de Depósitos (CGD), que o corte de postos de trabalho naquela instituição pode chegar aos 2. 500 até ao final de 2019. afinal quem defende os trabalhadores?
O Governo admitiu, em reunião com o sindicato dos trabalhadores da Caixa Geral de Depósitos (CGD), que o corte de postos de trabalho naquela instituição pode chegar aos 2. 500 até ao final de 2019. afinal quem defende os trabalhadores?O secretário de Estado do Tesouro confirmou que a reestruturação da CGD vai levar ao corte de 2. 500 postos de trabalho, prevendo-se a sua aplicação a partir de 2017 e ao longo de três anos. Foi garantido que não haverá despedimentos e que a redução passaria por reformas ou reformas antecipadas, sempre por acordo entre a CGD e o trabalhador. Ou seja, utilizem os termos que entenderem, mas a verdade é que irão sair de uma instituição, sob a responsabilidade do Estado, mais de dois milhares e meio de pessoas que perderão o seu emprego e vão engrossar o número dos aposentados.
Dir-me-ão: mas a reestruturação do banco do Estado é necessária para tornar viável a sua existência e implantação no mercado. Sim, mas convém lembrar que outras instituições bancárias também tiveram (ou estão) em reestruturação e os números de despedimentos não se comparam, sendo muito mais baixos. É um contra senso gritante o Estado pretender baixar o desemprego na generalidade e despedir em sua casa desta forma.
Por outro lado, devemos admitir que a taxa de desemprego recuou 1,5 pontos em 2015, mas a sua composição mantém-se muito idêntica: predominam os que procuram emprego há 12 meses ou mais. O desemprego de longa duração continua a ser uma realidade insofismável em Portugal, constituindo o grande volume dos que procuram emprego. Estavam sem um emprego no final do ano passado 646,5 mil pessoas e destas, 410,6 mil já estão nesta situação há doze meses ou mais.
Cerca de 40% dos desempregados de longa duração, que pedem a reforma antecipada (antes da idade legal para o fazer), ficam a receber uma pensão de valor inferior a 400 euros mensais. No primeiro trimestre deste ano acederam à reforma, através deste regime, 2244 pessoas. Perante esta realidade em Portugal a primeira preocupação do Governo deveria ser favorecer a criação de condições para que aumentassem os postos de trabalho e não o contrário. Por isso é que se fala muito na criação de riqueza, pois só através desta via é possível gerar mais postos de trabalho. Mas não é essa a orientação do actual Governo.
Se na actualidade o desemprego constitui uma chaga social, que dizer do futuro? Segundo um novo estudo do Fundo Monetário Internacional (FMI), divulgado sexta-feira, 8 de Julho, dentro de 20 anos, em 2035, 24,1% da força de trabalho em Portugal será considerada idosa.
De acordo com o relatório do artigo IV (avaliação anual) da zona euro, Portugal terá, num grupo de 20 país, dos maiores pesos da população idosa (55 a 64 anos), os tais 24,1% em 2035. Isto pressupõe uma aceleração rápida do envelhecimento populacional, a quarta maior do grupo estudado, com mais 9,2 pontos percentuais.
O problema, diz o FMI, é que sendo verdade que uma população trabalhadora mais velha ganha em experiência e conhecimento, também acontece que o stock de competências vai tornando-se cada vez mais datado à medida que a idade média dos participantes do mercado de trabalho aumenta, o que tem efeitos negativos sobre a inovação e a produtividade. O envelhecimento da força de trabalho, que caminha de mão dada com o envelhecimento da população total e com o declínio da natalidade será provavelmente um empecilho significativo ao crescimento da produtividade durante as próximas décadas. Este é o panorama que nos espera.
Este estudo do FMI apenas vem confirmar o que já é conhecido no nosso país. Há muito que os problemas que originam o desemprego estão devidamente assinalados, o que falta é utilizar os meios capazes para responder com eficácia a este flagelo. É preciso adoptar políticas corretas de crescimento em todos os aspetos, especialmente favorecendo as empresas para que estas se consigam consolidar e admitir mais trabalhadores. Torna-se também necessário empreender políticas familiares mais activas para que tenham melhores condições e possam gerar e criar os filhos, dado que a renovação geracional é imprescindível.
E sobretudo é preciso sensibilidade e vontade política para que o ensino em Portugal forme adequadamente os cidadãos que virão a integrar mais tarde o mercado de trabalho. O ensino em Portugal está demasiado generalizado, as matérias desadequadas e isso não permite ao aluno valorizar-se e obter as competências que lhe poderão permitir o êxito no mercado de trabalho. Haja Deus!