O Papa disse que «as diversidades, sobretudo se forem grandes, nos causam medo. Mas, por isso mesmo, elas se tornam um desafio». a nossa sociedade nem sempre acolhe e trata o deficiente com o carinho merecido
O Papa disse que «as diversidades, sobretudo se forem grandes, nos causam medo. Mas, por isso mesmo, elas se tornam um desafio». a nossa sociedade nem sempre acolhe e trata o deficiente com o carinho merecido a Conferência Episcopal Italiana promoveu um congresso para portadores de necessidades especiais, físicas, mentais ou sensoriais. O Papa recebeu no final da manhã de ontem cerca de 650 participantes, tendo dialogado com alguns deles. Foi nas respostas que Francisco deu a duas meninas que fizeram perguntas, em representação dos diversos portadores de necessidades especiais presentes na Sala Paulo VI, que tomou posição a favor da diversidade.
Na primeira resposta Francisco afirmou: as diversidades, sobretudo se forem grandes, nos causam medo. Mas, por isto mesmo, elas se tornam um desafio. É muito fácil não se incomodar com as diferenças das pessoas, ou melhor, ignorar a sua diversidade. Porém, a diversidade é uma riqueza.
Mas o Papa quis dar um sentido prático das suas palavras e fê-lo de uma forma singela valorizando os gestos do quotidiano, que muitas vezes nos passam ao lado. Francisco recordou um gesto humano muito comum, mas também belo, que pode ter um significado profundo: apertar a mão.com este gesto colocamos em comum o que temos com o outro, se este for um gesto sincero. É uma coisa que faz bem a todos. a diversidade é um desafio que nos faz crescer.
O Pontífice não esqueceu a descriminação a que estes portadores de deficiência estão sujeitos, mesmo na sua relação com a Igreja e os sacramentos, lembrando que todos são iguais e devem participar dos atos eclesiais, quer tenham cinco sentidos ou não. Diante de Deus, todos somos iguais, porque todos nós amamos a Jesus e sua Mãe Maria. Neste sentido, a diversidade é igualdade, a diversidade é uma riqueza.
Francisco foi além e instou os sacerdotes e os leigos para que não fechem a porta da Igreja àqueles que são diferentes de nós: ou todos ou ninguém! Devem ajudar as pessoas diferentes a entender a fé, o amor, a amizade. Lembrou ainda que é preciso acolher e ouvir a todos, ou seja, pôr em prática a pastoral da escuta. Mas, Padre, é tão chato ouvir, porque são sempre as mesmas coisas, as mesmas histórias. Porém, ninguém é igual ao outro. as pessoas trazem Jesus no coração. Por isso devemos ouvi-las com paciência. acolher e ouvir a todos. O Papa quis recordar a todos nós que a Igreja é mãe e acolhe todos, não descriminando ninguém que queira aceder a ela.
É comum na nossa sociedade olhar para os deficientes e sentir pena, quando na verdade deveríamos unicamente considerá-los diferentes, como seres humanos iguais a cada um de nós, mas carecidos de cuidados especiais. a Constituição da República Portuguesa (CRP) refere no artigo 71, alínea 1, que os cidadãos portadores de deficiência física ou mental gozam plenamente dos direitos e estão sujeitos aos deveres consignados na Constituição, com ressalva do exercício ou do cumprimento daqueles para os quais se encontrem incapacitados. Nas alíneas seguintes cita a obrigação do Estado em realizar uma política nacional de prevenção e de tratamento, reabilitação e integração dos cidadãos portadores de deficiência e de apoio às suas famílias. Mas o que se encontra consignado na CRP nem sempre o Estado o cumpre.
a sociedade é composta por todos nós e, mesmo que o Estado falhe na sua obrigação, nós temos de acolher como nossos irmãos aqueles que são portadores de deficiência, seja ela de que tipo for. a isso nos impele a caridade cristã. Quando os gestos não chegarem para o fazer, então teremos que deitar a mão a outros meios de apoio material ou outro, mas nunca deixar o irmão deficiente entregue à sua sorte.
É absolutamente necessário não ficar indiferente à pessoa deficiente. Esta faz parte do número dos mais carecidos em cuidados materiais e amor, aquele afeto sincero que todo o cristão deve ter para dar em permanência aos outros. É assim que o cristão se distingue.