Primeiro no acolhimento, segundo na atenção, terceiro na disponibilidade, quarto no serviço
Primeiro no acolhimento, segundo na atenção, terceiro na disponibilidade, quarto no serviçoMaria foi sempre considerada bendita entre as mulheres por ter sido eleita Mãe do Messias de Deus, colaborando no projeto de salvação de Deus com o seu sim. Mas há outras razões: há uma dimensão que encontramos nela e que a coloca entre os famosos discípulos de Jesus. Ou seja, já antes de Jesus nascer como um de nós, ela apresenta-se como sua discípula, a sua primeira discípula. a dimensão do discipulado em Maria tem vários aspetos que se revelam ao longo da sua vida, e que estão associados a características específicas do que significa ser discípulo e missionário. Pessoalmente encontro nela cinco dimensões que fazem parte integrante do seu ser discípula e missionária.
a primeira é a dimensão do acolhimento: diz o Evangelho que Maria guardava todas estas coisas no seu coração (Lc 2, 51). Ou seja, para Maria, tudo o que lhe acontecia, fosse mais ou menos alegre, mais ou menos compreensível, mais ou menos lógico, tinha uma razão de ser porque lhe era proposto por Deus. Ela colocava-se sempre em atitude de acolhimento das propostas de Deus, sobretudo através do Filho que tinha gerado e que na fase adulta da sua vida levou por diante uma missão muito particular, por vezes controversa e sempre desafiante, mesmo para ela. Ela acolheu também Jesus não só no seu seio, mas acima de tudo no seu coração, deixando-se transformar, desafiar e aperfeiçoar pela missão do Filho que ela aceitou como sua própria missão.
a segunda dimensão é a atenção: Maria viveu sempre numa atitude de atenção e cuidado para com o próximo. Os episódios clássicos são o da visitação a Isabel e as bodas de Caná. Para Maria, a felicidade e o bem-estar integral do próximo fazem parte da sua felicidade e esta atitude é o ponto de partida para que o amor se torne ativo. O missionário é aquele que está atento ao que Deus lhe propõe, à situação em que vive o seu próximo e aos sinais dos tempos, e sabe integrar os valores do Evangelho.
a terceira é a dimensão da disponibilidade: Maria oferece a sua vida a Deus e aos outros, a começar por Jesus, adequando os seus projetos pessoais e a sua felicidade ao projeco de Jesus. Esta disponibilidade torna-a mãe de toda a humanidade, começando por quem lhe é mais próximo – ela saiu apressadamente para uma cidade de Judá para ajudar a sua prima Isabel (Lc 1, 39). É uma disponibilidade ativa e atual, ou seja, acontece no aqui e agora; ela vive a vida no momento presente, dispondo-se ativamente a servir, a estar presente na vida dos outros com tudo o que é e tudo o que tem.
a quarta é a dimensão do serviço: Maria serve, faz da sua vida um dom para os outros, ajudando e servindo para que o outro seja feliz, amado, valorizado e respeitado na sua dignidade e beleza. a visitação de Maria a Isabel é o exemplo clássico, mas devemos igualmente recordar o episódio em que Jesus diz que sua mãe e seus irmãos são quem faz a vontade de Seu Pai (Mt 12,50). É esta precisamente a definição por excelência do discípulo e missionário de Cristo e, como tal, a definição da vida e missão de Maria. Este fazer a vontade é precisamente servir, não ser servido, é amar porque Deus é amor.
Finalmente, temos a dimensão da partilha: Maria partilha com Jesus e com todos a sua fé, a sua amizade, a sua presença atenta e ativa, o seu serviço fértil e generoso, a sua compaixão, acompanhando Jesus e a humanidade (simbolizada na comunidade dos apóstolos) em todos os momentos da sua vida. De facto, ela permanece fiel até à cruz, e está presente quando nasce a Igreja. Para nós, sobretudo para os mais jovens, a vida de fé deve levar a uma identificação com esta discípula, que se traduz numa vida pró-ativa em favor da felicidade do próximo. O mundo precisa urgentemente de jovens generosos e disponíveis como Maria.